As pessoas se aglomeravam em frente ao palco para poder ficar o mais próximo possível dos músicos que tocavam freneticamente sobre o palanque. Bruxos e trouxas acompanhavam as letras da música com perfeição enquanto via a mais nova vocalista da banda Dark's Guide andar de um lado para o outro, empunhando o microfone com vivacidade enquanto a sua voz ecoava pelo parque. Em tão pouco tempo aquela pequena banda que tocava apenas em festas de Hogwarts e outros lugares puramente mágicos agora era conhecida e reconhecida nos dois mundos. Em pouco tempo os integrantes daquela banda viam um sonho ser realizado e isso era muito mais do que eles poderiam desejar.

Her feeling she hides

Her dream she can't find

She's losing her mind

She's fallen behind

She can't find her place

She's losing her faith

She's fallen from grace

She's all over the place

A jovem de dezoito anos parou ao pé do palco, inclinando seu corpo e quase se aproximando do público. Seus cabelos castanhos caíam sobre o rosto enquanto os seus olhos verdes brilhavam divertidos. As palavras saíam com naturalidade de sua boca enquanto os espectadores vibravam. Hannah ergueu-se novamente e sorriu, se sentindo em um sonho enquanto via aquele pessoal cantar as músicas que tinha escrito e que agora tocava freqüentemente nas rádios. No começo essa era a única contribuição que ela dava a banda do namorado, letras de músicas. Isso até que o antigo vocalista, Derick, resolveu seguir carreira solo e a banda ficou sem ninguém para cantar e Ethan se recusava a assumir o papel. Entraram em desespero de causa e começaram a procurar um vocalista até que um dia ouviram a jovem Potter cantando uma das músicas deles. E o resto, bem, o resto era história.

She wants to go home

But nobody's home

That's where she lies

Broken inside

With no place to go

No place to go

To dry her eyes

Broken inside

Os acordes faziam Hannah se perder na música e a menina sorriu quando parou ao lado do namorado para ouvir o que ele poderia fazer com uma guitarra. Sua voz sempre seguindo os mesmo tons que ele e o corpo do homem parecia brilhar diante do que acontecia. Correu pelo palco, indo até a outra ponta e incitando o público a cantar com eles. Os outros integrantes da banda a acompanhado como back vocals. A menina sorriu ao ver rostos conhecidos na platéia. Catharine, sua melhor amiga, estava na primeira fila e acompanhava todas as letras que saíam da sua boca com fervor. E o que mais surpreendia era o destino que a jovem Snape havia tomado. Afinal, alguém tão espevitada quanto Catharine jamais poderia ser pintada como veterinária. Realmente era irônico e ninguém mesmo tinha entendido essa virada da jovem. Mas ela parecia estar gostando muito da carreira que resolveu seguir. Embora, fora da faculdade e do consultório ela ainda fosse à pequena dor de cabeça de Severo e Alan. Mas os dois não poderiam negar que amavam essa "dor de cabeça" ambulante.

She's lost inside, lost inside

She's lost inside, lost inside

A música terminou e Hannah fez uma reverência, agradecendo ao público e com passos largos caminhou até Ethan, roubando um beijo estalado dele. A multidão foi ao delírio com essa cena e assobios e palmas começaram a ecoar pelo local enquanto o baixo e a bateria começavam a introduzir outra música. Ethan sorriu diante do gesto da namorada e soltou um suspiro. A vida não poderia ser mais perfeita.


Evan esfregou os olhos depois de tanto tempo na frente da tela daquele computador re-avaliando os novos negócios feitos pelas empresas Winford nas últimas semanas. Mais um grande acordo imobiliário havia sido fechado e agora os Winford eram os felizes donos de um recém-erguido resort no Mediterrâneo. Talvez fosse bom ele usar esse paraíso marítimo para tirar umas férias. Não que ele não gostasse do trabalho que tinha, na verdade ele adorava, mas depois de alguns anos trabalhando direto nessas empresas ele tinha certeza de que merecia umas boas férias. Aos vinte um anos Evan Winford Potter era o mais jovem presidente bem sucedido a frente de uma grande empresa. Seu rosto estava estampado em várias revistas empresariais, sua presença sempre era exigida nas festas da alta sociedade britânica e ele era o solteiro mais cobiçado dentre dez e dez garotas dos quinze anos para cima.

-Sr. Potter? – a voz da sua secretária ecoou pelo comunicador do rapaz e Evan soltou um suspiro, apertando com força o botão para responder.

-Sim? – murmurou cansado, lançando um olhar para o relógio que ficava no extremo oposto da parede do seu espaçoso escritório. Seis horas da tarde. Talvez fosse bom ele sair na hora normal de trabalho e tomar um longo e gostoso banho quente na sua casa para poder relaxar. É, faria isso e que os documentos que tinha que revisar ficasse para o dia seguinte.

-Senhor, a nova advogada contrata pela empresa está aqui para vê-lo sobre os proclames legais referentes à aquisição mais recente do senhor. – Evan quase gemeu. Isso era hora para a mulher aparecer para discutir negócios? Não a conhecia, pois ela havia sido contrata no dia anterior, mas alguém tinha que ensinar a mulher que fim de expediente não era o melhor horário para se discutir negócios.

-Mande-a entrar. – ordenou. Do que adiantava protestar? Se a mulher estava ali era porque sabia que Evan sempre ficava até mais tarde no escritório. Porém, logo hoje que ele tinha planos essa advogada resolveu estragá-los. A porta da sala se abriu e uma bela mulher de cabelos ruivos e olhos cinzentos entrou no local.

-Sr. Potter? – chamou e Evan ergueu os olhos da tela do seu computador e quase teve uma parada cardíaca ao ver quem estava do outro lado da sua mesa. Rapidamente levantou-se, ajeitando o terno e ficando imóvel, não sabendo direito o que fazer.

Angela sorriu, mas por dentro estava tremendo de ansiedade. Sempre havia cruzado com Evan nas reuniões entre as famílias Potter, Weasley e Malfoy, mas esse parecia querer ignorá-la veementemente e isso sempre a deixava possessa. No começo dizia a si mesma que era porque ainda não tinha engolido o fora que tinha levado dele e que era o seu orgulho a afetando. Isso até que Evan começou a se tornar conhecido e cobiçado no mundo trouxa e cada vez que ela via alguém da firma de advogados onde trabalhava babar sobre o solteiro mais cobiçado da Inglaterra, Angela sentia ímpetos de arrancar os olhos da abusada fora. Evan era dela, mesmo que já fizesse quatro anos que eles não estavam juntos. E a ruiva sentiu-se uma idiota. Levou quatro anos, quatro malditos anos para perceber que realmente estava apaixonada por Evan Potter.

-Srta. Malfoy. – Evan finalmente pareceu sair do seu estupor. –Ou seria senhora alguma coisa? – perguntou de maneira formal e Angela sentiu um arrepio descer pela sua espinha. Ele tinha crescido e ficado incrivelmente maravilhoso. Não usava mais óculos e os cabelos negros estavam curtos e arrepiados, dando a aparência de despenteados. O terno descia impecável pelas curvas do corpo trabalhado e a aura de poder que ele emanava justificava o motivo de muitas mulheres o quererem levar para cama.

-Srta. Malfoy, sr. Potter. – respondeu com a voz neutra. –Creio que temos alguns negócios pendentes para resolver senhor. – disse, abraçando as pastas que carregava, mas Evan sabia que ela não estava falando sobre os negócios da empresa.

-Pois bem, fale srta. Malfoy. – deu a volta na mesa e parou em frente a ela e Angela prendeu a respiração. Ele também estava alto, muito alto. Deveria ter o que agora? Talvez 1.83m, 1.85m de altura? A ruiva tinha que erguer a cabeça se queria olhar dentro dos profundos olhos azuis.

-Bem… nós… eu… - começou e sentiu-se mais imbecil ainda. Estava gaguejando e Malfoy's nunca gaguejavam. Mas é que a presença de Evan a fazia perder toda a eloqüência e as suas pernas ficarem estranhamente bambas.

-Uma Malfoy sem palavras? – o moreno comentou com um sorriso malicioso brincando no canto de sua boca. –Nunca pensei que viveria para ver esse dia. – Angela eriçou-se diante desse comentário, o levando como uma extrema ofensa.

-Tire esse sorriso da cara, Potter. Estou tentando ter uma conversa séria aqui com você.

-E o que você quer saber. – retrucou extremamente sério diante da mudança de humor dela.

-Eu queria saber… - ela abaixou a cabeça a inspirou profundamente. -… se ainda temos chance para recomeçar. – disse em uma ofegada só, prendendo seus olhos nos dele. Evan recuou um passo surpreso diante das palavras dela. Para ele Angela nunca se rebaixaria a ponto de pedir uma chance a alguém, ou qualquer coisa do gênero.

-E por que eu faria isso? O que eu ganharia com isso? – perguntou defensivo e a ruiva juntou toda a coragem e força que adquiriu nos anos em que advogou.

-Minha devoção eterna. – Evan sacudiu a cabeça. Realmente era pedir muito para ela dizer um "eu te amo". Mas a devoção eterna era bem perto de uma declaração de amor. Olhou profundamente nos orbes cinzentos dela e viu uma coisa nova lá dentro, medo e… esperança. Sorriu um pouco. Bem, poderia doer tentar, mas mesmo assim ele sempre conseguiria se reerguer quando derrubado. Não conseguiu da primeira vez? Se sofresse de novo por causa dela, conseguiria de novo. A única coisa que não poderia fazer era não tentar para depois se arrepender por causa disso.

-É um bom começo. – murmurou, inclinando o corpo e depositando um suave beijo nos lábios vermelhos dela. –Agora… quanto a aquele negócio… - continuou voltando para a sua mesa e Angela sorriu. Às vezes pisar no próprio orgulho poderia ser recompensador, mesmo que demorasse quatro anos para fazer isso.


Porta-aviões Santa Maria, oceano Atlântico.

-Não, eu não estou fazendo loucuras… - pausou um pouco, apoiando-se na parede de ferro do corredor e passando a mão livre pelas mechas rebeldes do cabelo. -… e sim eu estou me alimentando direito. – mais silêncio por parte do rapaz de vinte e dois anos. –Quem você pensa que é, - riu abertamente, com o barulho ecoando pelo corredor movimentado. – minha mãe? E olha que nem a minha mãe é tão chata assim. – mais silêncio, com o garoto ouvindo quem estava do outro lado da linha falar, até que a sua atenção foi chamada por um tapa em seu ombro.

-Vamos logo cara! – um rapaz loiro de olhos verde água o apressou assim que passou por ele, ajeitando a fivela do seu uniforme igual ao que o garoto que estava no telefone usava.

-Estou indo! – respondeu dando as costas para o homem loiro que sumiu no final do corredor. –Escuta, eu vou aportar nesse final de semana na Escócia, você vai estar livre? – mordeu o lábio inferior, torcendo um pouco o nariz segundos depois que recebeu a resposta da pessoa ao telefone. –Final de semana na cidade é? Vai ter que bancar a babá? Já posso até imaginar a sua cara. – riu diante do resmungo que ouviu e deslizou o dedo por sobre a corrente de ouro que nunca saía do seu pescoço. –Hum, mas você vai arrumar um tempo na sua apertada agenda para mim, não vai? – falou com uma voz provocadora e uma gargalhada ecoou do outro lado da linha, acompanhada também de uma provocação.

-Tenente vamos! – outro homem uniformizado passou pelo rapaz dentro do estreito corredor o cutucando para ver se encerrava logo aquela conversa.

-Estou indo senhor. – respondeu em um tom sério, diferente do que falava há segundos atrás com a pessoa ao telefone. –Eu tenho que ir, tenho um exercício agora. A gente se vê nesse final de semana? – mais silêncio e segundos depois abriu um largo sorriso, com certeza gostando muito da resposta que recebeu e de uma outra advertência que ouviu. –E não, eu não vou fazer nenhuma besteira. Não confia em mim? – brincou dando um tom magoado a sua voz e suprimindo uma risada ao ouvir outra advertência. Estava recebendo muitas iguais a essa por telefone ou por e-mail desde que embarcou no porta-aviões. –Sinceramente, você não confia no meu talento de voar? Fiquei extremamente chateado com isso. – outra risada do outro lado da linha e o rapaz sorriu também. –Agora eu realmente tenho que ir. – interrompeu a conversa bruscamente. –Também te amo. Tchau! – e desligou o telefone, afivelando os cintos do seu uniforme enquanto corria corredor abaixo e rapidamente saía por uma porta estreita que dava para a pista do navio.

-Tenente Potter! – uma voz se sobrepôs ao barulho do mar batendo no casco e dos motores dos caças. –Está atrasado. – o moreno virou-se bruscamente, mirando os seus olhos violetas no mesmo loiro que tinha passado por ele mais cedo, e fez uma careta ao ver que não era ninguém importante, apenas o seu companheiro de cabine e co-piloto.

-Vai pro inferno Grant. – retrucou risonho e o loiro rolou os olhos. Colin Grant e Day Potter eram amigos desde que entraram na Academia Naval e ambos compartilhavam a mesma paixão que tinham por voar.

-Estava no telefone gastando as linhas navais reais com o seu amorzinho? – caçoou, imitando barulhos de beijos estalados e molhados e recebendo como resposta um tapa na cabeça. Colin também sabia que quem esperava por Day em casa não era uma bela moça, mas sim um belo rapaz professor de Poções da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. E sim, o loiro também sabia que o melhor amigo era bruxo, embora tenha levado um choque quando descobriu o segredo do seu colega de quarto.

-Ha, ha, ha, ha, ha… - Day riu sarcástico, prendendo o seu capacete em volta do queixo assim que entrou no cockpit do F-14 que pilotava.

-Vai ter outro encontro quente esse final de semana? Do jeito que ficou enrolando no telefone tenho certeza que vai ser algo inesquecível. – brincou Colin, sentando-se atrás de Day na cadeira do co-piloto e também prendendo o seu capacete.

-Vai querer todos os detalhes sórdidos quando eu voltar? Não é a toa que o seu apelido é Pervert. Sinceramente Colin, me erra. Arruma uma vida, uma namorada, uma amante, uma trepa…

-E ainda me chamam de Pervert? Ainda bem que você não terminou essa frase Maxwell, senão perderia o seu posto de Saint Max. – Day torceu o nariz. Só tinha ganhado esse apelido por causa da sua extrema paciência. Mas Colin sabia muito mais do que os outros pilotos e oficiais. Sabia que se Day era controlado, era porque se ele ficasse irritado e perdesse o controle a coisa iria ficar feia. Mais turbulenta que um caça em meio a uma tempestade de raios. E olha que ele já tinha encarado uma tempestade de raios e isso não era nada perto do gênio quente de Day Potter. –Mas se você quer realmente saber, eu ficaria feliz com uma longa e gostosa noite de amor com a gata da sua irmã. – provocou, dando de ombros displicentemente enquanto ligava os equipamentos do jato.

-Grant eu tenho uma arma e não tenho medo de usá-la. – rebateu o moreno, também ligando os motores e guiando o jato pela pista. Colin era fanático pela banda Dark's Guide e quando descobriu que a vocalista da mesma era a irmã de Day, nunca mais largou do seu pé e sempre usava essas tiradas para irritá-lo. Mas Day conhecia o amigo o suficiente para saber que não precisava levá-lo sempre a sério e que a única coisa que lhe tirava a paciência era quando o loiro enchia o seu saco querendo ingressos para os shows cada vez que eles desembarcavam. –E se você não quiser que eu jogue esse caça no mar é melhor calar a boca sobre a minha irmã. – Colin soltou um muxoxo, mas não perdeu a deixa.

-Mas você também está dentro do avião, então cairia junto comigo.

-Mas eu sei aparatar. – rebateu o moreno espertamente e o co-piloto soltou um resmungo derrotado. –Sem contar que você teria que passar por um batalhão de infantaria para conseguir chegar perto dela. A começar pelo Evan que é extremamente ciumento, depois pelo o noivo dela e, por fim, por mim. Ta a fim de se arriscar?

-Por que não? Eu já arrisco a minha vida todos os dias subindo em um avião que tem um maluco como piloto.

-Eu ainda continuo com a oferta de pé. Eu vou jogar esse avião no mar com você dentro. E esqueça, minha irmã é areia demais para o seu caminhão.

-Sinceramente Max você sabe tirar a diversão de um homem. – resmungou e Day soltou uma longa risada enquanto alinhava o jato na pista.

-Engraçado, isso é o que o Alex sempre diz quando eu…

-Muita informação! Eu não quero ouvir! – Colin interrompeu bruscamente, arregalando os olhos chocados e Day gargalhou.

-Torre, aqui é o Águia Um pedindo permissão para decolagem. – falou no rádio com um tom sério.

-Permissão concedida Águia Um. – respondeu a torre e as turbinas soltaram jatos de fogo e num piscar de olhos Day decolou com o caça e já estava no ar, rindo como uma criança que tinha acabado de ganhar o seu presente de Natal.

-Pelo o amor de Deus Max, se você fizer aquela pirueta de novo eu juro que mato você! – advertiu Colin. Embora adorasse voar com o amigo, às vezes ele fazia umas doideiras que surpreendia o loiro.

-Que pirueta? Essa pirueta? – o moreno riu e empurrou o manche, fazendo o avião envergar uns 85 graus.

-MAXWEEEELLLLL! – foi tudo o que os operadores de vôo do porta-aviões ouviram pelo rádio enquanto caíam na gargalhada.

No sábado, como o planejado, o porta-aviões Santa Maria aportava na base naval escocesa e alguns dos seus tripulantes desciam pela rampa de desembarque com um grande sorriso no rosto para poder aproveitar o final de semana de folga.

-Livres afinal. – Colin se espreguiçou demoradamente assim que tocou em terra firme e deu uma profunda inspirada no ar escocês, ajeitando logo em seguida a sua bem passada farda azul escura, quase negra assim como a gravata sobre a camisa branca, e colocando o quepe branco sobre a cabeça enquanto jogava a sacola com algumas mudas de roupas sobre o ombro. Day parou ao seu lado, igualmente vestido como o amigo e olhou no relógio, dando um largo sorriso ao ver que estava na hora.

-Bem, a gente se vê no domingo à noite. – disse ao rapaz loiro que deu um largo sorriso malicioso. –E tira esse sorriso da cara. – comandou, sumindo entre os oficiais e marinheiros que também desembarcaram. Assim que arrumou um lugar seguro e longe dos olhos dos outros desaparatou para Hogsmeade. Mal tocou nas ruas do vilarejo e num piscar de olhos fez sumir a sua bolsa, a mandando direto para o apartamento de Alexei. Saiu do ponto de aparatação e ganhou as ruas movimentadas da cidade, onde alunos da escola perambulavam pelas lojas. Entrou na Dedos de Mel e rapidamente atraiu olhares curiosos para aquele rapaz alto e de farda. Rodou pelas estantes a procura de alguns doces, ignorando as risadinhas femininas e os comentários que ouvia atrás de si. Sabia o efeito que estava causando. Era algo que Alex e Hannah chamavam de "efeito furacão", derruba tudo aquilo no caminho por onde passa. Era uma maneira de eles dizerem que o rapaz ficava muito bem com o uniforme de piloto naval. Encheu uma sacola de doces e foi para o balcão pagar, recebendo uma longa olhada da atendente e retribuindo a olhada com um dos seus sorrisos encantadores, fazendo a mulher corar.

-Por acaso você estaria livre esta noite oficial? – atreveu-se a jovem bruxa enquanto entregava o troco para o rapaz e Day riu mais ainda.

-Creio que não senhorita. – respondeu polidamente, dando as costas para a mulher, recebendo mais suspiros enquanto passava, e saindo da loja. Recostou no poste de luz com listras coloridas que tinha em frente à loja de doces e começou a apreciar as guloseimas enquanto esperava pelo seu encontro, ignorando veementemente os olhares que recebia das meninas que passavam.

-Perdido Tenente? – uma voz sussurrou em seu ouvido alguns minutos mais tarde e o rapaz não desviou seu olhar dos doces, apenas jogou mais uma balinha na boca, a apreciando demoradamente antes de responder algo.

-Na verdade não. Estou esperando alguém. – respondeu, dando de ombros e a companhia de Day parou ao seu lado, cruzando os braços sobre o peito.

-E como seria esse alguém? – perguntou curioso.

-Alto, moreno, arrogante, nariz em pé, a pessoa mais presunçosa que eu conheci em toda a minha vida.

-Me parece familiar. – Day ergueu os olhos violetas e os mirou na sua companhia.

-Verdade? Você viu essa pessoa?

-Com certeza. – olhos âmbares prenderam-se em violetas. –Todos os dias quando me olho no espelho. – e um sorriso brotou no canto da boca do homem. Day voltou a sua atenção para a rua, jogando outra bala na boca. –Sabia que você está atraindo a atenção de todo mundo que está passando por aqui? – Alexei comentou e o piloto pareceu inabalado diante desse fato. Na verdade já estava acostumado. Homens uniformizados parecia ser um fetiche generalizado… ainda mais se fosse um Day uniformizado na frente de Alexei, aí sim a coisa pegava fogo. Talvez devesse ter entrado para os Bombeiros, pensou o jovem Potter.

-Com ciúmes professor? – provocou o rapaz mais novo.

-Talvez Tenente. – Alexei retrucou, olhando o garoto de cima a baixo. Ele ficava uma loucura naquele uniforme e não via a hora de arrastá-lo para casa e…

-Pensamentos impuros Lex? – Day o interrompeu e Alexei soltou um grunhido. Com certeza o rapaz deveria estar captando a excitação que sentia. Maldita, ou bendita, ligação que eles dois tinham.

-Se o jovem oficial colaborasse um pouco esses pensamentos iriam embora. – falou, ficando frente a frente com o rapaz. –Dumbledore me liberou. Eu tenho o final de semana todinho para você. – provocou e Day abriu um largo sorriso, assentindo com a cabeça. E nem teve tempo de pensar ou dizer um ai e já estava sendo arrastado pelas ruas de Hogsmeade para o apartamento de Alexei.

Agora o seu final de semana seria completo. A sua vida estava completa, mas, principalmente, o seu coração.

Fim