Capítulo 8
Lily POV.
Respira. Ta tudo bem, James Potter nunca esteve aqui. Inspira. Ele nunca saiu correndo da minha sala e ele não é o pai da minha aluna favorita. Respira. Eu não estou perdendo meu tempo pensando nesse idiota. Inspira. Voltando à yoga...
Depois de sair da escola de dança, mais abalada do que eu gostaria de admitir, fui correndo comprar um presente pro meu pai (dia dos pais e tudo mais...). Com a minha pressa e a minha mente em outro lugar eu sinceramente não achei nada melhor que umas velas e uns incensos, coisas que eu geralmente daria para a minha mãe. Resolvo pegar essas coisas pra mim e achar outra coisa pra ele, não tem problema, certo, se eu der o presente atrasado? Depois dessa breve passada pelo shopping, estressadíssima, vou para a minha aula de yoga. Para relaxar e apagar certas coisas da minha mente, nem que seja por alguns momentos.
E aqui estou eu, na aula de yoga. Pensando em tudo menos no "OHM". Me convenço que o problema é o dia dos pais e tudo mais: o presente, Bonnie... Até aí tudo bem.Só que eu é não consigo tirar James Potter da cabeça. Tudo me leva a perguntar o que ele se lembra do casamento da Alice. O que ele está fazendo da vida... Coisas assim. Eu sei que ele tem uma filha. Sei que ela tem idade para ter sido concebida na noite de formatura. Sei que na noite de formatura eu descobri que gostava do idiota, mesmo depois de anos esnobando-o. Dei um fora nele, nessa noite. Um fora que doeu em mim. Ele pareceu realmente magoado, mas quinze minutos depois já estava bêbado e com outra garota. E então eu estava magoada. Mas a culpa era minha afinal... Pergunto-me se a tal garota pode ser a mãe de Bonnie. Sinto raiva dela, seja lá quem for. Não que eu a inveje, ou tenha ciúmes, eu devia mais era ter pena dela... Só de pensar que poderia ter sido eu no lugar dela... Filhos aos dezoito? Filhos em qualquer idade já me apavoram, aos dezoito então... Respira! Eu preciso falar com a Maria...
JAMES POV
Lírios, a cor laranja/vermelho, pessoas de um metro e meio, incensos, qualquer cheiro doce que invadisse minhas narinas na rua... Tudo me lembra Lily. Droga. Quando eu finalmente começo a achar que minha dependência dela pode ser curada, ela reaparece. Não que eu não esteja extremamente feliz com isso. Acho que eu poderia dar pulinhos de alegria... É só que isso me deixa numa situação estranha. Durante todos esses seis anos em que nós não convivemos eu me limitei a imaginar como seria o nosso reencontro. Agora que ela esta de volta não sei o que fazer. Eu simplesmente desaprendi a lidar com ela. Antes, na escola, eu ao menos conseguia deixá-la nervosa, fazê-la corar... Eu era um panaca, na época, mas tinha jogo de cintura (Ok, isso pegou mal). Acontece que eu não sei mais ser aquele panaca, logo, não sei mais como me aproximar de Lily.
Eu e Bonnie estávamos no carro, voltando para casa, depois de tomar sorvete. Depois de muita insistência dela eu admiti que sairia com a professora de balé dela, se tivesse a oportunidade. Isso me traz de volta ao meu dilema: o que fazer?
Eu posso tentar voltar a ser o babaca que a fazia pagar micos diários chamando-a para sair. (Fiz isso tantas vezes que acho que ela começou a acreditar que era tudo pelo fator de divertimento e não porque eu realmente quisesse sair com ela... enfim). Posso bancar o romântico. Mandar flores, cartões, chocolates... Levá-la num bom restaurante... Não... Muito suspeito para quem tentava agarrá-la no corredor da escola... Posso bancar o desinteressado... Mas isso não funcionaria, porque provavelmente ela não está interessada e não vai notar o meu interesse/desinteresse... Posso ser um troglodita... Ela namorou o tal Arnold... Então eu entraria na sala dela na escola de balé e a agarraria à força... Ela me daria um tapa super forte, mas me beijaria de volta... Improvável. Preciso falar com Remo. Urgente...
Quando eu e Bonnie adentramos o apartamento de Remo sentimos o cheirinho de comida invadir nossas narinas... Cheiros agradáveis... Lily. Droga.
-Nossa! Vocês demoraram hoje, hein! Que porcaria você deu pra ela comer, James? – Ora, porque um atraso significa que eu dei porcarias para Bonnie comer?
-Não sei do que você está falando...
-Ele me deu sorvete. – Linguaruda. Olho feio pra Bonnie. Agora já estamos totalmente de bem. E esse é mais um assunto sobre o qual quero falar com Remo.
- Nada de sorvete pra você da próxima vez, baixinha.
- Até parece que você não vai fazer o que ela quiser... – Isso é um complô? Os dois querem acabar comigo hoje ou é só impressão minha?
-Remo, vá terminar nossa janta, ok? – Fiz um gesto displicente que irritou ele. Meu empregadinho.
- Sem janta pra você hoje.
- Até parece que você não vai fazer o que eu quiser? – Ele me encarou zangado, enquanto eu e Bonnie ríamos.
Comemos, rimos, conversamos, implicamos e chega a hora de botar Bonnie na cama. Dessa vez ela apenas me pede para que eu reconte um história com seus personagens favoritos, inventados por mim: Lilá e Jacob. Eu apenas crio uma versão mais leve de Romeu e Julieta e adapto os personagens. Não preciso dizer que o final é feliz... Depois de fazê-la dormir volto ao apartamento de remo, temos muito o que conversar...
Llily Pov.
-Alô, Maria?
-Oi Lily!
-Como você sabe que sou eu?
-Hello! Século vinte e um né, querida. Identificador de chamada...
- Claro, claro, que besteira a minha...
-Então, alguma novidade?
-Como você sabe?
-Hm, porque você está me ligando... E nós nos falamos faz dois dias... Ta tudo bem com você?
-Sim, ta tudo bem. Eu só to meio distraída...
-Com o que, posso saber? Já enjoou do Italiano?
-Porque você implica com todos os caras com quem eu saio?
-Você não me ligou pra dizer isso, ligou?
-Não... Mas eu adoraria saber o por que.
- Então, me fala logo... Que mal te aflige? – Reviro os olhos. Maria e seu ar de psicóloga...
- Nada é só que... Sabe aquela garotinha que eu te falei da última vez, a minha aluna?
- Sei. A queridinha da professora... Ela me lembra muito um certo alguém... Eu só não me lembro bem quem...
- Pode ir parando por aí, Maria.
-Eu nem falei que estava pensando em você...
-Estava implícito.
-Ok, continue.
-Tudo bem. Bom, a Bonnie tava toda triste hoje e eu fui falar com ela depois da aul.
-Sem querer ser chata, mas... Você não está se envolvendo demais?
-Eu também pensei nisso, mas podia ser caso de bullying... Nesse caso eu tinha que interferir. Porque essa outra garota também é colega da Bonnie na escolinha... Enfim.
-Ok então você foi falar com ela e...
- Eu não sei se entendi muito bem... Mas acho que ela estava triste porque o pai dela não ia poder participar do dia dos pais no colégio.
-Lily? Porque você ta me contando isso? Descobriu que quer ser mãe?
-Muito engraçado... Se você tem coisa melhor pra fazer é só falar...
-Não! Eu só não entendo aonde você quer chegar...
-Não se preocupe, já estou chegando lá.
-Tudo bem, vá em frente...
-Bom, eu tentei consolar Bonnie e então o pai dela chegou. E você não vai acreditar quando eu disser quem ele é...
- Hm... Brad Pitt?
-Brad Pitt?
-É a pessoa com mais filhos que eu conheço… A chance dele ser o pai é até grande...
-Meu deus, Maria. Só cale a boca, ok?
-Ok, estressadinha. Quem ele é? Eu conheço?- Dou um suspiro antes de pronunciar o nome em voz alta.
-James Potter. – Maria faz silêncio do outro lado da linha. Ela deve estar fazendo as contas. Assim como eu também fiz quando entendi tudo.
-Espera... Quantos anos essa garota tem?
-Seis.
-Mas Lily...
-Eu sei.
-Você acha que... Será que a gente conhece a mãe dela?
-Talvez... Provavelmente. Mas o Potter dormiu com tanta gente naquele ano que não dá pra saber. – Espero não ter soado muito pesarosa...
- Ela nunca fala nada da mãe?
-Não... Ela geralmente fala em nomes masculinos... Não sei... – Será que ele é casado? Porque nunca nenhuma mulher apareceu pra apanhar Bonnie. Não que eu saiba, de qualquer jeito.
- Lily, eu to chocada.
-Imagino. Você tem uma espécie de paixão por ele...
- Ah, claro, eu...
-Vou ignorar as suas insinuações. Eu não acredito que depois de tanto tempo você continua...
- Sabe o que não bate nessa história?
- O quê?
- Naquele casamento ele não falou nada sobre ter uma filha... E ele queria casar com você! Não faz sentido. Ele não ia querer casar com você se ele tivesse outra... – Senti náuseas com a menção da proposta de casamento.
-Maria, é o Potter! É típico dele.
-Lily, você tem uma idéia muito errada dele, sabia? Ele não faria isso. Ele mudou bastante. Por falar nisso... Encontrei ele e o Remo esses dias num bar.
-E só agora você fala isso?
-Ficou nervosinha, é? Ciúmes?
-Ah, claro.
- Lily!
-O que?
-Ele não é casado!
-Não?
-Não.
-Como você sabe?
-Porque quando eu encontrei os dois eles estavam em um encontro duplo com as colegas de residência do Remo!
- Quem garante que ele não estava traindo a mãe da Bonnie? Quem garante que ele não a traiu comigo no casamento?
-Ridículo, Lily. Ridículo.
-O que?
-Você, desacreditando a decência do rapaz.
- Maria, a gente acabou de descobrir que ele teve um filho aos dezoito anos, provavelmente na noite de formatura, e você quer que eu acredite na decência dele? Além disso, ele queria me convencer a casar com ele sem nem mencionar o fato de que ele é pai!
-Não preciso te lembrar que você quase aceitou, não é?
-Cale a boca...
- AH, qual é Lily. Ele estava bêbado, você estava bêbada... Ele era apaixonado por você... Você tinha um fraco por ele... Acontece. Assim como acidentes também acontecem. Tipo a camisinha romper sei lá...
- Só não entendo por que ele escondeu isso tudo...
- Não sei... Talvez porque isso te impediria de casar com ele?
-Será que essa piada não esgota nunca? Já faz três anos, Maria! Supera essa...
- Não consigo. Eu simplesmente tenho que te castigar por não ter aceitado.
- Quem bom que eu não aceitei. Olha a confusão em que eu ia me meter? Além disso, você tem razão, eu estava bêbada... Ele é um idiota. – Maria deu um longo suspiro no telefone.
- Ta bem, Lily, eu desisto. – Sério? – Por hoje.- Óbvio.
- Agradeço.
- Sabe de outra coisa que eu lembrei?
- O que? O Potter também é traficante ou algo assim?
- Não... Quando eu encontrei com os dois no bar eu prometi que ia reunir a velha turma, tipo um reencontro, sabe?
- Ah, não. Não faça isso, por favor.
-Eu tinha até esquecido... Mas agora quero tirar essa história a limpo.
-Maria, esquece isso. Eu só queria te contar um podre do seu amigo.
- Sei. Um podre... Você queria era desabafar. Ta achando que me engana, é, ruiva? Aposto que você não conseguiu parar de pensar nisso.
- Sério, Maria, pra que um reencontro? Duvido que alguém realmente queira se reencontrar.
-Ora! Eu quero rever meus ex-colegas...
-Você quer é saber da fofoca, isso sim.
- Isso também... Vai ser divertido. Ver que já ta gorda, quem já tem cabelo branco, quem ta na menopausa...
-Maria? A gente tem vinte e três anos. Essas coisas a gente repara na confraternização de vinte anos de formados.
-Ah. É verdade.
-Sem reencontro, então?
-Claro que sim! Tchau Lils! Tenho uma festa pra planejar! – E assim Maria desliga o telefone me deixando mais preocupada do que antes da ligação. Amiga da onça!
James POV
-Olá de novo, caro amigo Remo!
-Oi... Você tá querendo alguma coisa...? Acabou o papel higiênico de novo na sua casa?
- Err... Não. Eu queria falar sobre a Bonnie, na verdade...
-Aconteceu alguma coisa, né? Ela anda meio estranha...
-É, aconteceu.
-Então? – Sentei no sofá e Remo ficou em pé na minha frente.
- Bom. Bonnie andou falando no Sirius. É. Eu sei que é estranho... Porque ela nunca fala nele. Digamos que eu não reagi muito bem quando ela pediu pra saber mais sobre ele e digamos que eu não reagi bem MESMO quando ela falou que me considerava o pai dela. – Remo me olhava apreensivo.
- Nesse ponto da história você já sabia que tudo isso é porque o dia dos pais está chegando e vai ter uma grande confraternização na escolinha da Bonnie, certo?
-Err... Não. Eu não me dei conta. Eu simplesmente a repreendi por me chamar de pai e ai ela não falou mais comigo até hoje de tarde quando a busquei no balé.
-Você é um idiota, sabia? Ela tem seis anos, cara. Pra ela você é o pai dela, não importa o que a genética diz!
-Eu sei! Eu disse isso pra ela hoje. Eu me sinto o pai dela. Eu só... Acho estranho isso, sabe? Nunca me preparei pra isso... E meio que é um direito do Sirius...
- James. O Sirius mesmo falou milhões de vezes que Bonnie tem três pais. Relaxa.
-Eu sei. Remo. Eu me sinto o pai dela.
- Se você sabe de tudo isso... Porque veio falar comigo?
- Bem... Bonnie botou no lixo o convite para o dia dos pais na escola... E eu achei... E não sei se ela quer que eu vá, ou que você vá, ou que nós dois vamos...
-Nós dóis não podemos ir... Vamos parecer um casal gay! Não vai ser bom pra ela. – Tive que rir dessa. Depois de Seis anos ele resolve se preocupar com isso.
-É. Acho que não...
- Eu acho que você deveria ir...
-Eu?
-Não foi comigo que ela se chateou por não poder chamar de pai...
-Eu quero ir. Realmente quero ir. Só não sei se...
-Ela com certeza quer você lá. Só deve estar com medo de pedir.
-Você acha?
-Tenho certeza. – Tenho consciência do meu sorriso bobo nesse momento.
-Acho que eu vou, então.
-Isso. Vá. E não diga nada, faça uma surpresa...
-Você é um gênio, remo. Eu já disse isso antes?
- Não vezes suficientes. – Eu estava me levantando para sair quando ele mais uma vez se mostra um gênio... – Era só isso? Tem certeza que não tem mais nada pra conversar? – Maldito futuro psiquiatra!
- Na verdade... Tem sim.
- Então...
-Sabe quando eu disse que achei o convite pro dia dos pais? Bom, eu não achei. Lily Evans me deu ele. – Remo não demonstrou surpresa alguma ao assimilar a informação. Lily Evans, amor da minha vida, aqui... Deve achar que estou louco.
-Lily Evans deu o convite pra você? Na escola de balé da Bonnie, eu suponho?
- Como você...?
-Ah, qual é, James! Só você pra não perceber que era ela o tempo todo.
-Você sabia?
-Você não? Eu achei que era por isso que você andava todo esquisito, querendo sair com a Vanessa...
-Você é louco? Se a Lily ta aqui porque eu ia querer sair com a Vanessa?
- Não sei... Talvez você tenha percebido que não é tão apaixonado por ela, ou talvez tenha percebido que não vale à pena...
- Vale à pena, Remo. Esse é o problema. Eu vi ela hoje. Linda. Mais linda do que nunca. Mais mulher... Abraçando Bonnie... – Remo deu um longo suspiro de resignação. – Porque você não me contou que era ela?
-Eu não tinha certeza. E não sabia se você tinha certeza. E como reagiria...
-Como você soube?
- Primeiramente, não é um nome comum. Bonnie falava nela o tempo todo... Quantas Lily's que dançam balé podem haver por aí? Depois que eu tinha a suspeita não foi difícil fazer Bonnie falar mais sobre ela. Ruiva, bonita, baixa estatura, olhos verdes, meio natureba... Retrato falado perfeito da Evans. – Ele deu de ombros. Sou um idiota, não sou? Tudo isso bem debaixo do meu nariz, e eu pensando na moça do bar...
- Agora parece tão óbvio...
- James?
-Hm?
-Como foi o reencontro?
- Estranho. Eu ainda estava em choque por encontrar Bonnie chorando no colo da professora quando de repente percebo que na verdade ela é Lily Evans! Ai a situação ficou meio estranha. Eu não sabia o que fazer. Se eu corria atrás de Bonnie ou se eu falava alguma coisa. – Ele estava muito concentrado no que eu falava. Me analisando.
- E então?
- Meio que nos implicamos sabe? Ela pediu pra chamá-la de professora Evans... Você acredita nisso? Depois de seis anos ela consegue agir da mesma forma... – Ele deu uma risada gostosa.
- Pior que acredito.
- Se ao menos eu me lembrasse daquele casamento... Bem, acabei perguntando da Bonnie e ela meio que se sensibilizou, mandou eu ir atrás dela e me deu o convite.
- Foi só isso?
-Eu resumi, mas foi só isso sim.
- Vocês parecem... Tímidos.
-Esse é o problema Remo. Faz seis anos que não falo com ela de verdade. Não sei como agir. Não sei se dou em cima dela descaradamente como costumava fazer ou se banco o romântico... Se aceito a ajuda de Bonnie...
- Não aceite a ajuda de Bonnie... Lily não ia gostar disso... E com certeza não volte a ser aquele cafajeste.
-Romantismo, então?
-Não... Não combina com você.
-O que eu faço? É a minha última chance Remo. Eu preciso conquistar essa garota!
- Eu já ouvi isso antes...
-É, mas eu perdi a oportunidade, lembra?
- Lembro... Eu acho... Eu acho que você deveria agir naturalmente, ser você mesmo.
-O que? Como assim?
-Eu acho que ela iria gostar do novo James : mais maduro, responsável, menos cafajeste...
-Será?
-Claro. O problema de vocês, James, sempre foi a infantilidade. Você era um babaca tentando chamar a atenção dela e ela estúpida por ficar negando o que sentia por você.
-E agora?
-Agora os dois estão mais maduros. Você não precisa bancar o babaca e ela provavelmente já é mulher o suficiente pra entender os próprios sentimentos.
- Por isso que você sempre foi o cérebro da equipe, sabia?- Ele riu.
-James?
- Que foi? – Eu já estava meio perdido em pensamentos. Imaginando como abordar Lily da próxima vez que nos víssemos.
- Não estrague tudo, ok? Vá com calma. Seja paciente. Se aproxime. Ganhe a confiança dela. Mostre que você amadureceu. Não fale sobre amor incondicional logo de cara, isso só vai assustá-la... E não fale sobre casamento. Nada. Absolutamente nada sobre isso, ok?
- Você acha que eu sou idiota? Porque eu pediria ela em casamento logo de cara?
- Não sei... Eu só...
-Não me subestime. É óbvio que eu casaria com ela. Amanhã, até. Mas eu sei que ela se assusta com essas coisas sérias.
-Sabe, é?
-Não sei como, mas eu sei. Eu simplesmente sei que Lily foge ao primeiro sinal de compromisso. Ela é uma dessas pessoas que nasceu pra ser livre...
- Se você sabe disso, porque insiste tanto em querer "prender" ela?
-Remo, eu não quero "prender" ela. Eu quero ser livre com ela. – Até me emocionei com as minhas palavras.
- O que você quer dizer com isso? Desistiria de casar, ter filhos e a vida tradicional que você tanto almeja para ficar com ela?
- Talvez. E também... Quem disse que eu preciso renunciar essas coisas? Eu só preciso mostrar pra ela que ser livre é um estado de espírito e não uma condição. Uma pessoa pode viajar o mundo todo dançando e não ser livre. Assim como alguém pode casar e ter filhos e ser livre.
-Ás vezes você me surpreende, mas só ás vezes.
- Eu também me surpreendo ás vezes, mas só ás vezes... Eu vou dormir agora. Obrigado ae, cara. Por me aturar. – Cumprimentei batendo em sua mão. Antes de sair, no entanto, lembrei de uma última coisa... – Ah, Remo? Você pode me dar uns rolos de papel higiênico? O nosso acabou...