"Never cared for what they do
Never cared for what they know
But I know
I never opened myself this way
Life is ours, we live it our way
All these words I don't just say
And nothing else matters"
Dean tocou o rosto do anjo em devoção. A pele alva e macia cedia levemente ao contato, sob o deslizar suave dos dedos do loiro. Atiçou a chama, que por mais água fria que recebera, não havia fraquejado. Como pudera se enganar por tanto tempo? Não havia como lutar contra um sentimento tão forte. Toda aquela batalha interna resultara apenas em dor e nenhum resultado.
O anjo não esboçou nenhuma reação. Sentia o polegar do outro passear pelo contorno de seus lábios, bochechas e descendo pela linha do maxilar. Não saberia explicar o porquê, mas uma sensação boa se espalhava pelo seu corpo.
Temeroso, Dean se aproximava enquanto analisava as reações não muito expressivas do anjo. Era difícil desvendar o que se passava na cabeça do outro. Não era como ler as expressões de uma garota, e nem deveria ser, afinal Castiel era homem, mas estava muito além disto. Não havia precedentes. Um anjo que dera o seu primeiro beijo com um demônio no corpo de mulher não era nada comum.
Anna também não servia como referência. Podia dizer que Anna possuía um tipo de humanidade muito maior do que Castiel. Eram tantas incógnitas, que se Dean fosse realmente avaliar levaria toda uma eternidade. E ele não tinha uma eternidade.
Não pensou mais. Colou seus lábios nos do anjo. A suavidade do toque não se comparava ao beijo selvagem trocado com a criatura maligna. Havia ternura, dúvida e algo mais. Os dedos deslizaram por baixo da orelha, chegando à nuca do moreno. Se não estivesse enganado, podia dizer que sentiu o corpo do outro estremecer, entretanto perguntava-se se anjos sentiam arrepios. Talvez anjos não, mas aquele corpo podia transmitir qualquer sensação à criatura angelical dentro dele. Era exatamente com isso que ele contava.
Se a eternidade não era possível, torcia para aquele momento ficar gravado em sua mente, como um registro de um sentimento que nascera tão puro e singelo, até tomar conta de todo o seu coração. Tinha a confiança de um homem que se sentia completo. Mesmo assim, estar com aquele anjo o fazia sentir-se maior, não como duas metades da laranja, mas alguém que tem algo a mais. Como a sinergia, na qual o total é muito maior que a soma das partes. Mas só percebeu isso quando sentiu o anjo em seus braços e sentiu-se maior e melhor.
Fazia frio no inferno se comparado ao calor que sentiam, inundados por sentimentos e regados a hormônios. Razão e sentimento se fundiam em sensações que não poderiam ser completamente descritas em palavras. Dean deslizou os dedos pela gravata, como numa reverencia aquele simples pedaço de tecido, de testas coladas o loiro podia observar e sentir a maciez do acessório. Da extremidade da gravata, o loiro arriscou conduzir os dedos pela fenda da camisa, entre os botões fechados. Tocou com a ponta dos dedos a pele ainda mais macia.
Castiel não entendia muito bem, principalmente quando sua respiração se intensificava e falhava quando Dean o tocava. Não sabia bem o que fazer, mas se tinha algo que sabia era que poderia confiar no dono daqueles toques. Observou quatro dedos do loiro tocarem-no sob o tecido, enquanto o polegar ainda permanecia sobre a camisa. Partindo daqueles dedos, sentia uma corrente que se espalhava por todo o seu corpo, diferente de tudo que já havia sentido desde que ocupara o corpo daquele humano. E como resultado, essa onda dirigia-se ao seu baixo ventre, causando uma reação que conhecera por acidente, devido a um entregador de pizza e uma babá. Mas, agora, era bem mais agradável.
Os pelos se arrepiavam, a pele se umedecia e a boca secava. Um bocado de informação para assimilar enquanto não havia o entendimento de que era apenas necessário se entregar. Dean conduzia o anjo para próximo da cama, enquanto afrouxava mais a gravata, encarando aqueles olhos azuis inquisidores. Não havia respostas que pudessem ser dadas, a não ser mostrar que não havia nada além do que estavam fazendo. Que o mundo lá fora era apenas um cenário e tudo poderia ser deixado para depois. Que não havia guerra ou paz, apenas o carinho e o prazer daquele momento.
Dean desvencilhou-se da jaqueta pesada, logo depois que passou a gravata pela cabeça de Castiel, jogando-as em um canto qualquer. Abriu cada botão com o capricho de se deleitar com cada pedaço de pele exposto. Empurrou o anjo, fazendo-o cair sentado sobre o colchão macio. Retirou a camisa e as peças sobrepostas ao mesmo tempo, com a mão espalmada sob a pele abaixo. Beijou o pescoço e o ombro alvo recém descoberto com carinho, passando as pernas por cima dele, fazendo-as ficar uma de cada lado do anjo. Ajeitou-se no colo do anjo e segurou seu rosto entre as mãos, beijando-o com intensidade.
Levado pelas ações de Dean, Castiel tomou a iniciativa de retirar a camiseta do loiro, recebendo um sorriso de aprovação. Jogou a cabeça para trás instintivamente quando o Winchester se movimentou em seu colo, roçando o quadril sobre a sua ereção levemente dolorida. Um gemido escapou de seus lábios involuntariamente. Concebeu que eram normais quando ouviu o gemido rouco do loiro a sua frente.
A força da gravidade terminou de fazer o serviço quando Dean empurrou levemente o corpo de Castiel para trás, fazendo-o deitar-se sobre o colchão. Incitou o moreno a deslizar pelos lençóis, alcançando a parte superior da cama. Em sentido contrário, distribuiu beijos até alcançar o cós da calça do anjo. Dedicou-se a beijar e lamber sua barriga enquanto desafivelava o cinto, abria o botão e abria o zíper. Arrancou um gemido estrangulado quando acariciou a ereção do anjo ainda sobre o tecido da boxer naval. Tocada depois pela ponta do nariz do loiro logo em seguida por seus lábios.
Nunca pensou que poderia arrancar gemidos tão luxuriosos da boca daquele guerreiro angelical. Palavras desconexas deixavam a boca do anjo em suas tentativas nulas de tentar dizer algo realmente inteligível. Castiel desistiu de entender quando aquela mão firme tomou sua ereção entre os dedos e iniciou um vai-e-vem vigoroso.
Dean não se sentia inseguro com aquelas carícias. Não estava simplesmente com outro homem, e sim com o homem que desejou intimamente com mais força do que jamais pensara desejar qualquer pessoa. Tão pouco hesitou em abocanhar e chupar o outro. Queria ver o anjo cair em toda a sua humanidade e desfrutar do momento.
Anjos morreriam de inveja daquele momento por toda a eternidade, por não poder estar no paraíso particular de Castiel, com aquele loiro de fogo infernal sobre ele, chupando-o e marcando sua pele com propriedade. Não demorou muito para que seu corpo respondesse aquela carícia, derramando um líquido espesso que preencheu a boca do loiro. Se um dia lhe perguntassem, não saberia descrever aquela sensação arrebatadora que atingiu o seu ser, nublando sua visão e desorientando seus cinco sentidos. O sangue correndo rápido pelas veias, saturado de substâncias químicas, buscando oxigênio nos pulmões que mal davam conta do recado. O cérebro enviando sinais desconexos, ludibriado pelo prazer.
O loiro mal esperou que a respiração do outro se normalizasse, beijando-o com carinho e compartilhando o sabor daquele momento, que, por Deus! Era melhor do que hambúrguer ou qualquer outra coisa que já tivesse provado. Que Deus os perdoasse! Que se danasse! Deus não estava nem aí para eles.
Aproveitando a letargia do moreno, Dean retirou suas próprias calças, encarando logo em seguida aqueles olhos azuis, estrangulados pelo negro luxurioso das pupilas que permaneciam dilatadas. Sorriu ao ver o olhar perdido de Castiel, buscando apoio e compreensão. Não podia negar que aquela era a expressão mais adorável. Beijou-o com carinho, esfregando-se nele e acariciando o corpo do moreno, que timidamente o acariciava em resposta. E se a expressão era adorável, o que poderia dizer de todas as outras atitudes do seu anjo? Incerteza e confiança, contradições nas ações que só algo especial poderia conduzir.
Dean precisava dar mais um passo. Necessitava possuir aquele corpo sob o seu, macular aquela figura um tanto inocente que ainda via em seus sonhos. Era necessidade física, emocional e sentimental o que o consumia. Se o apocalipse podia ser impedido, então não era nada comparado aquele momento, que aconteceria mesmo se todos os deuses se voltassem contra eles. Se havia que algo que Dean Winchester era, era persistente e confiante.
Avançou as casas quando pegou um preservativo no criado mudo ao lado da cama. Achou-se idiota por pensar nesse tipo de proteção, afinal o que poderia acontecer? Quase riu ao pensar que Castiel pudesse ter pegado algumas "demônias" por aí e... Matou aquele pensamento antes que tivesse uma crise de risos e destruísse todo o momento. Proteção não é demais, então abriu o pacote e colocou a camisinha.
Castiel acompanhou a ação, observando o loiro e viu um sorriso sendo reprimido por ele. Quase perguntou o motivo, mas percebeu que não era hora de perguntas. As respostas vinham por si só. Afagou os cabelos do caçador quase involuntariamente, atraindo para si outro sorriso, dessa vez mais límpido e belo, diferente de todos que vira naquele rosto. A compreensão começava a partir dos olhares, num diálogo quase sobrenatural.
O Winchester buscou também no móvel ao lado da cama um lubrificante, que espalhou sobre o seu membro, lambuzando os dedos ao mesmo tempo. Gemeu ao sentir a mão de Castiel acompanhando seu movimento, sem temor. Aquele gesto era tudo o que precisava para seguir em frente. Afastou as pernas do anjo, apoiando-as em seu ombro. Gravou aquela imagem no cantinho mais especial que conseguiu, para nunca mais esquecê-la, em um retrato praticamente divino.
Beijou e acariciou as pernas do anjo, chegando finalmente a sua área mais íntima. Dean fixou os olhos nos orbes azuis, enquanto a carícia se tornava mais dolorosa, quando um dedo invadia a entrada de Castiel. As sobrancelhas do anjo se franziram em resposta, mas logo se suavizaram quando Dean acariciou seu rosto com a outra mão. Não havia sinal mais claro de que estava tudo bem. Um segundo dedo foi adicionado, sendo aceito aos poucos enquanto a sensação desagradável se transformava.
Quando sentiu que seu anjo estava pronto, Dean ajeitou-se com cuidado preparando-se para penetrá-lo, mas não antes de mais um beijo que pedia calma, além de transmitir afeto. Aos poucos, sentiu-se envolto completamente pelo corpo quente e apertado do moreno. "O que é autocontrole?", perguntava-se a cada segundo, quando uma vontade animalesca tentava tomar conta do seu ser, fazendo-o ter vontade de se arremeter contra aquele corpo sem se preocupar. Não soube dizer o que lhe segurou, ou talvez até soubesse, mas mantinha o ritmo lento, provocando gemidos estrangulados, que deixavam a boca do anjo e o impeliam a crispar os dedos em sua pele.
Afastou-se do anjo, saindo de dentro dele e fazendo-o retomar aquela característica expressão interrogativa. Respondeu ao seu questionamento fazendo-o virar-se na cama. Beijou-lhe as costas, investigando cada pedaço de pele e deleitando-se com o sabor irresistível daquela cútis sob a sua. Afastou-se o suficiente para puxar o quadril do anjo para cima. Aquele só podia ser o oitavo pecado capital.
Segurou-o pela cintura e penetrou-o novamente. Mordeu o lábio inferior, aproveitando o momento. Mas não era suficiente. Daquele modo não podia observar as feições do anjo e muito menos beijá-lo. Não era o suficiente quando não era apenas o prazer que estava em jogo. Passou o braço pelo peito do moreno, fazendo o anjo levantar o corpo, enquanto ao mesmo tempo se abaixava, apoiando-se melhor sobre as pernas. Ajoelhados na cama, Dean tinha o peito colado às costas do moreno, que agora tinha que comandar os movimentos, erguendo e abaixando o corpo. Desta forma, Dean puxou o rosto de Castiel para o lado, permitindo que se beijassem e estivessem mais unidos do que nunca.
Castiel, completamente entregue, comandava o ritmo dos movimentos ajudado pelo loiro, que também impulsionava o quadril ao encontro do outro. Uma mão mantendo os corpos colados e a outra satisfazendo as necessidades do anjo. Não demorou muito para que ambos gozassem, quase ao mesmo tempo, entrecortando o beijo por pura necessidade. O céu desabou e nenhum dos dois percebeu.
A chuva caia lá fora, arrebatadora, mas era apenas um cenário. Macro universo de um micro universo, onde só importava aqueles dois homens, unidos por um sentimento de beleza incomparável. As respirações se acalmavam e os corpos relaxavam, cada um perdido em seu próprio mundo. Os mundos se colidiam na esquina em que nada mais importava. Compreender pouco importava quando o sentir estava presente. Nada mais importava porque tudo estava ali.
Nota do Beta (Cassboy Divo –q): Já surtei muito nos emails com esse capítulo final, já até chorei! E só posso dizer que está muito lindo! Tão suave e ao mesmo tempo tão quente! Está a altura da nossa amada Anarco Girl! Dean e Castiel é um casal muito especial para mim... porque se trata de uma ligação muito além do que é humano, mas que se completa maravilhosamente naquilo que é físico. E você conseguiu captar tudo isso ao longo desses capítulos, culminando com essa delícia! Todos os parabéns do mundo! XD
Mega Nota da Autora que você não precisa ler, mas ela vai colocar assim mesmo porque é uma chorona: Ebaaaaaa! Finalmente terminei NEM! Não estou propriamente feliz porque a fic terminou, mas sim porque essa fic é muito especial para mim. Tive inúmeros problemas e um sério bloqueio com Dastiel, quase chegando ao ponto de desistir. Mas como eu poderia fazer isso, se essa era uma fic feita especialmente para a minha amada Anarco Girl? NUNCA! Isso foi o que mais me motivou a continuar. Além de tudo, tem um estilo completamente diferente de todas as minhas outras fics. Aos poucos, fui recolhendo os caquinhos do meu amor por Dastiel, passando cola e fita colorida para conseguir escrever um capítulo a altura de tudo que eu já tinha imaginado para essa fic. Ao meu ver, acho que consegui. Por pouco a fic não faz aniversário, mas eu consegui terminar a tempo e espero que seja uma boa surpresa para quando a minha amada entrar na net.
Um enorme abraço a todos que tiveram paciência de acompanhar até aqui. Sei que o ritmo das minhas postagens está praticamente insustentável, mas estou fazendo um grande esforço. Não sei se a palavra é realmente essa, pois amo demais fazer isso. Enfim... Obrigada!
Beijooooos =*
