Incertezas - capítulo 1
Fandon: Supernatural
Personagens principais: Dean/Sam/John
Sinopse: Sam é um garoto de 17 anos, vivendo uma adolescência conturbada... Tem problemas de relacionamento com a família, é doce e inocente, mas ao mesmo tempo encrenqueiro, curioso e cheio de dúvidas... principalmente quanto ao amor que sente por seu irmão Dean, agora com 21 anos ( Slash / AU).
Nota: Os três não são caçadores.
John estava enfiado debaixo do capô, dando as últimas regulagens no motor de uma caminhonete, enquanto Dean dava partida no motor e acelerava. O motor ronronava como John queria, e mais uma vez o serviço estava terminado.
Dean, agora com 21 anos, havia escolhido deixar de ir para a faculdade para ajudar o pai em sua oficina. Desde moleque, sempre amou trabalhar com carros, sua brincadeira favorita quando criança era montar e desmontar os brinquedos, para testar e ver como realmente funcionavam.
Dean geralmente utilizava os brinquedos eletrônicos de Sam, seu irmãozinho quatro anos mais novo, como cobaias. Lembrava como seu irmãozinho chorava ao encontrar seus carrinhos de controle desmontados, ou então seus robôs sem a cabeça ou qualquer outra parte do corpo, enquanto Dean fazia seus experimentos.
Sam, agora com 17 anos, observava seu pai e seu irmão da porta da oficina... Também gostava de carros, mas apenas para dirigí-los, não levava o menor jeito com mecânica, mas adorava ver o seu irmão trabalhar nos carros com tanta paixão. Gostava de ver Dean entrar em casa todas as noites sujo de graxa e de ouvir ele falar empolgado sobre os carros que tinha concertado, ou que iria concertar.
Dean também era o seu protetor... Sam era encrenqueiro, vivia metendo-se em confusão, principalmente com seu pai, pois os dois tinham gênios completamente diferentes e viviam batendo de frente, aí sobrava para Dean apartar as brigas, geralmente em defesa de seu irmão mais novo.
Sam era um garoto doce, tímido, mas tinha um gênio do cão... Era muito teimoso quando queria, e adorava provocar o pai. As vezes Dean achava que Sam vivia em outro mundo a parte... cansava de observá-lo perdido em seus pensamentos, totalmente alheio ao que se passava ao seu redor.
Quando brigavam, ou as coisas ficavam pretas para o seu lado, Sam corria para longe de casa, voltando somente a noite, ou então pulava a cerca de arames que dividia o terreno com o do vizinho, e se escondia no celeiro deles, ou corria para a beira do riacho, que também era na propriedade vizinha.
Na verdade, desde que Mary, sua mãe, morrera há cinco anos atrás, Sam sentia-se perdido no mundo. Observava seu pai e seu irmão, os dois sempre se entendendo tão bem, mas não se sentia parte da família. Seu pai era sempre atencioso com Dean, enquanto que com Sam ele não tinha a menor paciência, não ligava a mínima para o que fazia, e vivia implicando com tudo.
Sam sempre fora muito apegado a mãe, e desde sempre John implicava que Mary o protegia e mimava demais. Após a morte de Mary, Sam só podia contar com Dean, agora era ele quem o protegia, quem o consolava e dava conforto. Sam nutria um amor muito grande pelo irmão, tão grande que as vezes o assustava. Por várias vezes Sam se pegava observando o irmão... observando demais. Os dois dividiam o mesmo quarto, e quando Dean saía do banho apenas com uma toalha enrolada na cintura, Sam quase não podia conter seu desejo, não podia desviar seus olhos daquele corpo... Dean era musculoso, era uns dez centímetros mais alto que Sam, tinha o corpo forte e perfeito, enquanto Sam se sentia um patinho feio, por ser magro demais. Ficava observando o irmão se vestir, depois escondia o rosto no travesseiro com vergonha de que Dean descobrisse o que sentia, pois não conseguia evitar uma ereção cada vez que o observava daquela forma...
Então Sam sentia-se sujo, sujo por ter aqueles pensamentos sobre o corpo do irmão, sujo por saber que era errado, que era um sentimento doentio. Morria de medo que Dean suspeitasse de alguma coisa, pois tinha certeza que o irmão o desprezaria para sempre, e que iria perder a única pessoa que realmente amava, quem apesar de tudo ainda tinha como família.
O ano letivo já havia terminado, e Sam estava de férias, tendo o dia inteiro livre. Pela manhã, acordava cedo e deixava a casa limpa e organizada, para que Dean tivesse mais tempo para se dedicar a oficina. Também preparava o almoço, assim Dean e o pai só entravam em casa quando estava tudo pronto. E por mais que Sam se esforçasse para agradar, o pai sempre encontrava algo para colocar defeito...
- O que foi que você esqueceu hoje, Sam?
- O quê?
- Este macarrão, está uma droga...
- Pai, só falta um pouco de sal, o saleiro está na sua frente - Disse Dean intervindo.
- Escuta aqui Sam, será que você não consegue fazer nada direito?
Sam permaneceu em silêncio, estava cansado de discutir com John, então levantou calmamente, pegando o prato da frente do pai e a tigela de macarrão da mesa, e jogou os dois na lixeira, com prato e travessa junto, e saiu de casa batendo a porta com força.
- Seu petulante, filho da mãe - Então John levantou e correu atrás dele, mas a esta altura Sam já havia pulado a cerca do vizinho, afinal era um ótimo corredor.
Sam sabia que se o pai o pegasse, estaria frito, nem Dean iria conseguir protegê-lo desta vez, no mínimo iria levar uma surra, mas não estava nem aí, já não suportava mais ser tratado desta forma. Sam correu até a beira do riacho, que ficava nos fundos do terreno do vizinho, nem se incomodou de olhar para trás, pois sabia que o pai não iria nem conseguir pular a cerca, então não precisava se preocupar. Sentou-se numa pedra, e ficou ali, pensando na vida... e sem querer estava chorando... Precisava colocar para fora, sentia tanta raiva do pai que poderia ter avançado no pescoço dele, não iria voltar para casa, não antes que o pai tivesse dormindo a noite, e Dean também, pois com certeza o irmão a esta altura estaria querendo lhe socar também.
Sam ainda estava chorando, perdido em seus pensamentos, quando sentiu uma mão tocar em seu ombro, era Tom... Tom era seu vizinho, brincavam juntos algumas vezes quando eram crianças, era um garoto bonito, agora com 19 anos, tão alto quanto Dean, cabelos e olhos castanhos...
- Ei Sam, você está bem?
Sam tentou conter o choro e disfarçar...
- Sim, está tudo bem.
- O que houve? Você brigou com o seu pai novamente?
- Mais ou menos...
- Pode me falar, Sammy, você sabe que pode contar comigo.
- Eu só estou com raiva, e cansado dele implicar comigo...
- Ele não te ama, não é? Pelo menos não como ele ama o Dean...
- Como você sabe disso?
- Dá pra ver, Sammy, eu vejo que você sofre com isso...
Sam recomeçou a chorar, então Tom sentou ao seu lado e o puxou para que encostasse a cabeça em seu ombro, o abraçando em seguida. Sam permaneceu assim por um bom tempo, não conseguia conter as lágrimas, e era muito bom se sentir protegido, ter alguém para desabafar.
- O seu irmão também, não é Sam?
- O que tem o Dean?
- O Dean... é lógico que te ama, mas não do jeito que você quer, não é? Não do jeito que você o ama...
- Por que você está dizendo essas coisas? - Sam disse se afastando do corpo do maior.
- Porque eu tenho te observado Sammy, e eu gosto muito de você, na verdade... eu amo você...
- Eu... eu preciso ir embora - Sam disse se levantando.
- Não Sam, você não precisa fugir de mim, eu não vou te fazer mal, eu só quero o seu bem - Tom falou enquanto puxava Sam de volta para sentar ao seu lado - Eu entendo o que você sente pelo seu irmão, e eu não vou te julgar, eu só quero ver você feliz, você pode contar comigo...
Depois de dizer isto, Tom tocou o rosto de Sam, secando suas lágrimas, fazendo um carinho... e Sam, muito ingênuo e carente, deixou-se envolver por aquele toque. Tom então o puxou para mais perto, pressionando seus lábios muito sutilmente nos de Sam, para em seguida tocá-los com a língua, pedindo passagem... Sam deu permissão e iniciaram um beijo suave, Tom foi explorando sua boca lentamente, com cuidado, há muito tempo queria isso, e não poderia jogar esta oportunidade fora, não queria assustá-lo, precisava ganhar a confiança de Sam. O beijo foi se aprofundando aos poucos e Sam começou a sentir-se excitado com a situação, afinal, nunca havia beijado um homem antes, e sentir aquela língua devorando sua boca o estava deixando completamente duro. Sam interrompeu o beijo precisando de ar, sua respiração já estava ofegante, estava assustado com as reações do seu corpo, então levantou de súbito, dizendo que precisava ir embora.
Sam saiu caminhando na direção oposta, então Tom foi atrás dele...
- Ei, aonde você vai?
- Eu não posso voltar pra casa antes do meu pai dormir, senão ele vai me matar...
- Então vem comigo, você deve estar com fome...
Meio a contra gosto Sam o seguiu, então entraram na casa e Tom foi preparar alguns sanduíches e suco para os dois comerem.
- Onde estão os seus pais?
- Eles foram visitar minha avó, e eu fiquei tomando conta da casa.
- Eles voltam hoje?
- Sim, mas bem tarde.
- Ah...
- Você quer ir para o meu quarto, Sam?
- Não - Sam disse nervoso.
- Eu não vou fazer nada que você não queira, não precisa ter medo de mim...
- Eu não tenho medo, eu só...
- Você nunca fez isso?
- O quê?
- Beijar alguém.
- Nunca um homem.
- E mulheres? Você já transou com alguma?
- Já.
- E?
- E o quê?
- Como foi? Você gostou?
- Sim.
- Você não parece muito entusiasmado, talvez você goste mais com um homem...
Sam arregalou os olhos, assustado...
- Calma, eu já disse que não vou te forçar a nada, foi só um comentário...
Passaram o restante da tarde conversando na casa de Tom , e quando já era noite, Sam decidiu que teria que voltar pra casa, afinal não poderia fugir para sempre.
Tom, ao saber o que Sam pretendia, o convenceu a ficar mais um pouco, e o levou para o galpão, que era uma espécie de celeiro, de onde dava para enxergar a casa de Sam, e as janelas dos quartos. A luz estava acesa no quarto de John, e Sam ficou aliviado, pelo menos ele já havia saído da oficina, então em breve iria dormir.
Sam ficou ali parado, encostado na parede, quando Tom se aproximou e começou a beijá-lo novamente, mas desta vez com mais desejo, um beijo quase desesperado. Tom pressionava o seu corpo no de Sam, esfregando sua ereção contra o corpo do menor, que também já estava excitado.
- Tom, eu... eu não quero... - Sam disse quando Tom começou a tirar sua camisa...
- Calma Sammy, eu só quero olhar pra você, prometo que não vou tirar nenhuma peça da minha roupa. Apenas deixa eu te acariciar - Dizia enquanto estimulava Sam com beijos e lambidas em seu pescoço.
Sam estava imóvel, ao mesmo tempo que queria fugir dali, também estava curioso e queria provar dessas novas sensações, então foi deixando Tom retirar sua camisa e descer com a língua pelo seu corpo, passando pelos mamilos, e descendo até o cós da sua calça, para então abrir o zíper e tomar seu membro pulsante em sua mão. Sam estava ofegante, e não conseguia desviar os olhos, queria ver no que aquilo ia dar... estava muito excitado com tudo aquilo e não podia parar agora. Tom, vendo que Sam o observava, ficou mais excitado ainda, e queria muito agradar o mais novo, ganhando assim também a sua confiança para que ele voltasse novamente, e Tom pudesse realizar seus desejos que há tanto tempo guardava.
Então Tom ajoelhou-se a sua frente, e passou a língua molhada pela extensão do seu membro, lhe causando arrepios. Em seguida circulou a glande com a língua e sugou... sentindo o corpo de Sam estremecer de prazer. Sam já não conseguia segurar seus gemidos, a sensação de estar sendo chupado por um homem, junto com aquela visão o estava deixando louco... Em seguida Tom abocanhou tudo que pode, movimentando sua boca num vai e vem até fazer Sam gozar dentro dela... Sam jogou a cabeça para trás e gemeu alto nesta hora, fazendo Tom exibir um sorriso de satisfação. Sam era quente... e ele voltaria, com certeza ele voltaria...
Depois de recuperar o fôlego, Sam fechou sua calça e vestiu sua camisa, pela primeira vez sentindo-se constrangido diante do amigo, e Tom, percebendo isso, voltou a beijá-lo e o abraçou para que se sentisse seguro.
- E então, Sammy... foi bom, não foi? Volta aqui amanhã a tarde, quem sabe a gente possa se divertir mais um pouquinho...
- Eu.. eu tenho que ir agora...
- Ah, Sam... é melhor você não contar nada disso pro Dean, nem pra ninguém...
- Claro, eu não contaria mesmo...
- Ok, durma bem, eu te espero amanhã...
Sam então saiu correndo em direção a sua casa, as luzes estavam todas apagadas agora, provavelmente os dois já deveriam estar dormindo... Tentou a porta dos fundos, e viu que estava trancada... Droga! Havia esquecido este detalhe... Então se lembrou da janela da área de serviço... forçou um pouquinho e conseguiu abrir, entrando sorrateiro e quase caindo ao tropeçar em alguma coisa. Subiu as escadas no escuro, com todo cuidado para não fazer barulho, e então abriu a maçaneta da porta do quarto, agradecendo mentalmente por Dean não ter trancado. Entrou quietinho, fechando novamente a porta com cuidado, e deitou-se na cama de roupa e tudo, tirando apenas o tênis. Enfiou-se debaixo das cobertas, achando que tinha se safado...
- Onde diabos você se meteu até agora, Sam?
- Dean, eu... pensei que você estivesse dormindo.
- Eu estava te esperando, e como você entrou?
- Eu... dei um jeito...
- Sam, eu estou cansado de ficar segurando a sua barra com o pai... Por que você simplesmente não deixa pra lá? Você tem que provocar ele até o limite?
- Ele me odeia, Dean...
- Você está falando bobagens novamente, e onde foi que você esteve?
- Na casa do Tom.
- Até essa hora?
- Se eu voltasse antes, o John iria me matar...
- E desde quando você tem medo dele? Sammy, você merece mesmo uma surra...
- Você quer me bater?
- O quê?
- Você pode me bater, se quiser... Só não fica bravo comigo...
- Cala essa boca e dorme, Sam!
Ficaram por algum tempo em silêncio, e quando Dean estava quase dormindo...
- Dean?
- Hã?
- Você ainda está namorando a Sara?
- Não Sam, por quê?
- Você transou com ela?
- O quê? Eu não vou falar disso com você... Me deixa dormir!
- E você já transou com um homem, Dean?
- Meu Deus, Sam! De onde você tira essas idéias? Claro que não!
- Ah.
- Sabe do que você precisa, Sam? Você precisa voltar logo a estudar, para manter essa cabeça ocupada... Agora fecha essa maldita boca e dorme!
Sam ficou quieto, mas não conseguia dormir... ficou o tempo todo pensando nos acontecimentos do dia... em Tom, e nas sensações que lhe causou... Sam já havia transado com uma colega da escola, que era um ano mais velha... Vez ou outra ela o arrastava no final da aula para o banheiro feminino. Mas Sam nunca havia imaginado beijar, e muito menos ser chupado por um homem... Claro que já havia cogitado fazer essas coisas com Dean, mas apenas com ele, nunca com outro homem. Tinha sido algo totalmente inesperado, e o pior é que havia gostado, e muito...
Continua...