Capítulo 6
Havia o toque em seu ombro. O toque que começa sutil como um pedido que não precisa mais ser feito. Os dedos escorregam sobre a pele, seguindo seu contorno até o pescoço, onde um pequeno beijo é pousado enquanto os dedos se perdem entre os cabelos negros.
- Boa noite, meu amor.
A voz suave do loiro em seu ouvido faz Harry sorrir, fechando os olhos para sentir mais os carinhos que lhe são oferecidos. O cheiro do sabonete de Draco o envolve e o contato de seu peito nu contra as costas também nuas é fresco, pequenas gotas geladas passam do corpo do loiro ao seu quando ele o abraça totalmente, escorrendo pelo seu corpo.
A mão corre pelo seu peito, o puxando contra o corpo do outro, e desce, acariciando seu abdômen. Harry interrompe os beijos pelo seu pescoço, virando mais a cabeça até conseguir ter a boca de Draco na sua, e suspira.
Harmonia.
Nada consegue ser mais harmônico do que as respirações ritmadas.
Um ano vivendo com Draco o ensinara isso. O ensinara o quanto eram diferentes, e o quanto as diferenças dos dois se completavam, dando aquele equilíbrio à relação que tentavam estruturar.
Equilíbrio.
Relação.
Os dois.
Harry sorriu em meio ao beijo quando Draco o forçou a andar, dando passos perdidos para frente sem soltá-lo, até tê-lo ajoelhado sobre a cama. E o beijo se tornou mais profundo quando as silhuetas dos corpos se tornaram uma só, a perfeita conjunção.
Os dedos prenderam os fios loiros quando Harry atirou a cabeça para trás, gemendo ao ser tocado, e Draco sorriu, voltando a beijar seu ombro e pescoço, sorvendo o sabor do moreno ao sugar a pele, ofegando com o leve balançar do quadril de Harry contra o seu.
Aquele prêmio tivera um preço. Harry viver com Draco foi mais fácil do que Draco viver com Harry. Claro que o ruivo conservador ainda não conseguia falar meia frase na presença do loiro sem conquistar um olhar de reprovação da namorada ou do moreno, mas ainda não se compara à situação de Draco no momento em que teve que romper seu noivado com Astoria.
Ela entendeu, era uma mulher inteligente e sensata, e no fundo também desejava alguma felicidade e sabia que não a teria se separasse o loiro de seu moitié. Mas o pai dela não entendeu tão facilmente, e houve uma grande discussão que culminou com o cancelamento da indicação do nome de Lucius ao conselho do ministério.
O pai também não aprovou sua decisão, mas conseguiu seus objetivos de outra forma, das quais Draco não quis tomar conhecimento. Já não morava na mansão e não trabalhava no ministério, sua convivência com os pais se limitara a alguns jantares desde então, mas ele não lamentava. Harry ganhara uma promoção algumas semanas depois, apesar de tudo.
O moreno entrelaçou os dedos dos dois, pressionando com força a mão do loiro contra seu peito, e inclinou o corpo para frente, trazendo o outro consigo, usando o braço para se apoiar no colchão. Draco beijou sua nuca e desceu a boca até o meio de suas costas, trilhando um rastro de beijos, sua língua correndo lentamente a linha da coluna de Harry enquanto seus dedos o preparavam. Sussurrou o feitiço lubrificante e o abraçou com força enquanto entrava lentamente em seu corpo.
Harry gemia baixinho, os dedos ainda presos com força aos de Draco, os olhos fechados. Em apenas um ano, já não podia contar os momentos como aquele que vivera, em que eram um. E ele estava certo, não era só sexo. No início, chegou a ficar assustado sobre como pensavam igual. Talvez não na forma de ver o mundo ou de reagir a determinadas situações, mas na forma como era capaz de completar as frases do loiro em momentos de distração, ou entender o que ele precisava só de olhá-lo. Ficou surpreso também com os silêncios que tinham. Enquanto comiam juntos ou quando simplesmente se sentavam abraçados, ficavam longos períodos quietos e era simplesmente bom.
Confortável.
Os corpos se balançavam, juntos, em um só movimento, regado a sons baixos que denunciavam o prazer que sentiam. A mão que segurava Harry com força pela cintura desceu, o envolvendo, fazendo o moreno gemer mais alto, virando a cabeça, procurando pela boca do loiro.
- Eu te amo. – a voz rouca, quente, soando baixa em uma confissão que Harry já não tinha medo de fazer. E Draco o tomou com mais força, prevendo o êxtase.
Não é que não houvesse brigas. Draco não deixou de ser filho da puta em sete anos sabendo quem era seu moitié, não deixaria agora só porque viviam juntos. E Harry continuava sendo o mesmo cabeça dura lerdo e imbecil de sempre.
Mas ambos sabiam que, se não fosse assim, não seria tão perfeito.
Draco mordeu seu ombro, seu corpo tremia e Harry gemia descontrolado sob ele, buscando seu corpo na mesma velocidade que o loiro investia contra ele, até que já não havia mais nada além de seu cheiro e sua voz e tudo o que um poderia dar ao outro. Os corpos caídos sobre a cama, entrelaçados e sem nenhuma intenção de mudar isso, não importando a sujeira ou o suor ou o mundo fora daquele quarto.
Somente os dedos ainda unidos.
Juntos.
Bem.
Completos.
FIM
NA: Gente, último capítulo da fic é dedicado à Liora Black, por ter me lembrado de postá-lo, porque eu já ia esquecendo de novo .-.
Obrigada, moça! E espero que tenha valido a MP! ^ ^
E Moitié chega finalmente ao fim. Mi, que todo mundo que acompanhou tenha gostado e curtido e torcido por eles. Me digam o que acharam, ok?
E como sou uma pessoa legal de bom coração, amanhã já vou começar a postar uma fic nova: Merus Cruor Vena. Pinhão amor da tia.
Beijos e muito obrigada a todos que acompanharam a fic!
Até, povo! o/