Disclaimer: Os personagens e o universo de Twilight são propriedade de Stephenie Meyer, e esta fanfic não possui fins lucrativos.

Tuailai: Pôr-Do-Sol

por Queijo do Reino

Notas da autora: Desculpem o atraso. Confesso que não foi por falta de tempo, mas sim porque me falta saco de ferro pra ler a obra. Tentei recomeçar hoje, e deu no que deu, mas ao menos já estou me acostumando com a escrita bizarra do livro. Às fãs de Twilight que também acompanham a fiction, agradeço pela compreensão e bom humor. Isso me orgulha, aliás, ver pessoas que gostam do livro, mas não são cegas à ponto de endeusá-lo, ou apenas se divertir com ele, sem nenhuma obsessão. Confesso que ele é um livro até divertido, mas me cansa ler tantas páginas sobre nada.

Um agradecimento especial a Zed, que me ajudou betando.

Agradeço cada uma das reviews e espero que se divirtam tanto quanto eu me divirto escrevendo.


Querido diário.

O outro dia foi melhor... E pior. Melhor porque eu comecei a me familiarizar com as pessoas. Confesso que estava generalizando todo mundo, achando todo mundo tosco e caipira, mas agora consigo lembrar de umas pessoas que parecem legais. Uns nomes, uns rostos. Um saco foi ter que agüentar o Eric e o Mike se encarando por minha causa, me disputando, sabe. Não que eu seja linda. Como toda mary-sue, sou modestinha, nem sei o que eles viram em mim... Vai ver é encanto por eu ser de fora. E foi pior porque eu joguei vôlei, e, como toda menininha meiguinha, sou ruim em esportes, né. E toda a minha super inteligência e avanço nas matérias desapareceram repentinamente quando o professor me perguntou um troço lá de trigonometria. Acho que vou ao médico, deve ser câncer cerebral, esse albinismo mental surgir do nada assim é muito estranho. Ah, e foi uma droga também porque eu fui principalmente pensando no Edward-que-me-odeia-mas-eu-me-interessei porque ele é bonitão e misterioso. E ele não foi pra escola. Sobrei.

Quando cheguei em casa, fiz compras e comida, super mulherzinha, digno de aplausos. Depois fui ver e-mails em capslock da minha mãe que gritavam por sinal de vida. Não sei o que ela tinha na cabeça por me mandar mil e-mails, pelo amor de deus, eu acabei de me mudar. Parecia que eu ia morrer a qualquer momento. Mandei um e-mail (que ela recebeu na hora porque essa história é super coerente e eu sabia que ela não fazia nada o dia inteiro, só ficava no pc), dizendo que estava tudo bem.

O resto do dia não tem Edward, então nem preciso falar, Diário. Vou chorar um pouco agora. Não sei porque... Deve ser hábito.


Querido diário.

Mais um dia sem Edward. Papai falou bem pela manhã da família dele, fiquei feliz. Agora, vou chorar.


Querido diário.

Outro dia sem Edward. Chorarei e dormirei.


Querido diário.

Passaram-se vários dias e Edward não voltou à escola. Desidratei.


Querido diário.

Nevou e Edward foi para a escola. Todos vieram até mim dizendo como a neve era legal e maravilhosa – foram brincar nela e tudo mais. Fiquei me perguntando qual era o problema deles, eles vêem neve desde que nasceram, vêem chuva desde que nasceram, e ainda acham tudo fabulosamente novo. É até anormal eu ser a única entediada, sendo que tudo isso era novidade pra mim, e não pra eles. Eu gostava pra caramba de Phoenix, a cidade do sol, mas se ainda estivesse lá provavelmente estaria reclamando do calor infernal que faz algumas vezes. Por que diabos esse povo gosta tanto de chuva, de neve? Será que explodiu alguma usina nuclear por aqui e retardou todo mundo? Para satisfazer meu ego, enquanto meus amigos elogiavam e se embasbacavam com a neve lá pela mesa do refeitório, soltei um "eca.", acompanhado de frases sarcásticas, meu forte. Quando eu olhei impulsivamente para a mesa dos Cullen, meu cérebro processou cinco silhuetas. Cinco. Não, eu não precisava voltar para a primeira série para aprender a contar. Edward Cullen sorria como num comercial de pasta de dente enquanto caía neve de seu cabelo como num comercial de gel. Uma visão tão perfeita que parecia patética. Fiz uma cara estranha praquele povo e me perguntava como eles conseguiram bugar a vida real pra ter photoshop na cara para sempre.

Então o Edward Cullen me olhou. Virei a cara, porque, por favor. Sai fora veado.

Até que me chamaram atenção pela cara estranha. Disse que estava meio enjoada.

- Edward Cullen... Ele está olhando pra você! – Disse Jéssica, uma garota aleatória e desimportante nessa história.

Pensei comigo "Será que é porque alguém foi correndo contar pra ele que, ao invés de ficar encantada com ele, eu achei patético o fato dele ter botox aos 18 anos?" e não respondi. Com ar blasé, tomei meu refrigerante.

- Ele ainda está olhando pra você! – ela repetiu.

- Me avise quando ele olhar pra bandeja, e quando amarrar os sapatos, e quando se levantar e fazer barulho, ou quando ele coçar a nuca, matar um mosquito, essas coisas importantes.

Ela ficou calada. Melhor assim.

Não quis nem saber se ele estava ou não com raiva de mim – de certa forma não senti a mesma hostilidade daquele dia – e fui pra sala de aula. Não tinha sentido não ir pra aula somente porque ele se achava no direito de me odiar. Mesmo que não fizesse sentido eu estar numa sala atrasada de conteúdo.

Fui pro meu lugar calmamente, até que ele foi pro dele – do meu lado – e se sentou, virado pra mim, apesar das cadeiras relativamente distantes.

- Oi.

Mas que porra. Olhei pra cara dele como quem pergunta que diabos ele está fazendo ao falar comigo depois de dar aquele ataque.

- Meu nome é Edward Cullen – Continuou ele. – Não tive a oportunidade de me apresentar na semana passada. Você deve ser Bella Swan.

Incrível. Ele sabia até meu apelido. Todos aqui me chamavam de Isabella, mas ele tranqüilamente já me chamava de Bella. E então um clarão, um iluminismo mental, me apoderou. Quase uma epifania. Minha expressão mudou de descontentamento para surpresa, e então pena.

- Deus do céu, sinto muito.

- Hã? – Ele sorriu com o canto da boca, um sorriso maravilhosamente ofuscante. Suspirei.

- Deve ser horrível ter essa doença.

- Doença? – Ele negou, se fez de idiota.

- Não precisa mentir pra mim! – Disse, penalizada. – Eu sei. Você sofre de distúrbio bipolar. Eu tenho uma tia que sofria disso e tratava as pessoas bem, e de repente mal. Era horrível... Deve ser horrível pra você também. Desculpe por pensar tantas coisas ruins de você...

Ele fez uma cara horrível pra mim. A hostilidade parecia crescer a cada segundo.

- Oh. Meu nome é esse mesmo. Prazer em conhecê-lo.

- Certo. – Disse, cortando o assunto.

E então o professor pediu para analisarmos a tarefa do dia. Ajudamos-nos – acho que ele fica à vontade ao meu lado por não discriminar uma doença mental tão séria quanto a que ele tem. Pobre Edward Cullen.

Quando terminamos, ele tentou puxar uma conversa. Foi quando olhei bem pro rosto dele... Pros olhos dele... Os olhos. Estavam negros no dia que ele estava de mau humor, e agora estavam quase dourados olhando pra mim. Pensei comigo mesma o quanto o pai dele deve gastar com botox, pó, cílios postiços, máscara, brilho labial, tintura de cabelo e lentes de contato pra melhorar o ego desse menino que fica oscilando entre a depressão e a mania. Coitado do Edward. Coitado do Sr. Cullen. Que família triste.

Mas os olhos dele eram tão artificiais que achei necessário alguém falar isso. Talvez ele ficasse mais bonito com um tom mel, não um tom tão dourado. Aparentava plástico, como uma boneca se forçando a ser bonita em lugares que ela não deveria estar. Ou uma pessoa usando um vestido de festa com colar de diamantes numa dessas festas juvenis. Brilha, é bonito, mas é bizarramente inconveniente.

- Edward, não acho que essas lentes combinem com você, pra ser sincera. – Disse com um sorriso triste.

- Eu não uso lentes.

Choquei. Fiquei bege, acabou-se o resto de cor que eu tinha. Como assim ele não usava lentes? Que mentira absurda! Ele deveria se envergonhar por mentir tão mal assim, Deus do céu, tava ali, na cara dele que ele estava mentindo. Literalmente na cara dele. Mas vai ver foi a forma que ele usou para se proteger do ego massacrado... Deve estar deprimido ainda...

- Ah, desculpe-me. São olhos bonitos demais, por isso pensei. – Disse pra amenizar. Espero não ter ofendido demais.

E então a aula acabou. Edward deixou-me com um sorriso habitual e correu pra fora da sala. Mike veio como um príncipe me acolher – ou como um cachorro. Comentou do Edward, de como eu tinha sorte de tê-lo como parceiro pra fazer as tarefas. Morri de vontade de falar pra ele que nem todo mundo é retardado como ele, mas fiquei quieta. Chega de confusões, mesmo que brigar com o Mike não faça diferença nenhuma na minha vida.

Quando saí da escola, corri para meu carro enorme, devastador e quentinho. Percebi o Volvo lindo e brilhante do Edward ao longe e, ao ficar observando, quase que atropelei um Toyota Corolla aleatório. Mas que merda de demência. Então dei a ré e saí certinho, e percebi que Edward estava sorrindo. Se fosse ele cometendo este retardo mental público, eu estaria rindo, rindo muito e rindo alto. É, ele é mais educado do que eu pensei.