Naruto e seus personagens não me pertencem. A história foi inspirada em Shinigami Lovers da Autora Yuuki Ryou.
UNTITLED
Dever
Hinata ainda estava chocada com as palavras do Uchiha, tanto que até aquele momento não havia trocado nenhuma palavra. Sasuke continuavam andando, alguns passos a frente, como se nada tivesse acontecido.
Já havia parado de chover, o céu azul celeste ganhou um tom mais carregado de azul, quase negro, as pequenas e brilhantes estrelas davam um requinte especial naquele inicio de noite. Estava tão distraída que nem percebeu quando começou a fitar costas fortes e pálidas que se movimentava por baixo das vestes, quando se deu conta do que estava fazendo, ruborizou-se e balançou a cabeça. Por um momento ela achou as costas de Sasuke atraente.
Ao passo que iam chegando à casa de Hinata, Sasuke ia ficando transparente até ficar visível somente aos olhos da Hyuuga. Quando Hinata chegou à porta de casa e abriu-a, encontrou Neji com um casaco em mãos prestes a sair, Hiashi estava sentado lendo jornal, e Hanabi aparentemente estava na cozinha (dava para escutar barulho de talheres e copos batendo na mesa). Sorriu, e a expressão sólida de Neji pareceu diminuir gradualmente. Era obvio que ele ia sair de casa para procurá-la.
― Onde estava Hinata-sama? ― perguntou polidamente, no entanto, uma pontinha de preocupação podia ser vista.
Ela tirou seu casaco e o estendeu para o móvel de pequenos braços localizado atrás da porta, fez o mesmo trajeto com o guarda-chuva.
― Fui ao karaokê com o Kiba e o Shino-kun. ― explicou. ― Eu deixei um recado na geladeira, você não viu?
Gradativamente o rosto esbranquiçado de Neji foi adquirindo uma coloração avermelhada, pouco perceptível.
― Vi. ― respondeu serenamente, e suas bochechas aos poucos foram voltando à cor normal. ― Mas é perigoso você andar sozinha por aí... E está escuro...
― Eu já não sou criança, nii-san. Então não precisa me tratar como uma ― sua voz suave pareceu determinada e adulta do que alguns meses atrás. Ela gostava muito de seu primo, e não queria magoá-lo, porém sua super proteção às vezes a sufocava de tão maneira que ela se sentia presa.
― Me desculpe. ― pediu, com uma leve reverencia se retirou subindo diretamente para o seu quarto. E Hinata sentiu seu coração se aperta e sem pensar duas vezes, subiu atrás do primo ― com Sasuke bem atrás dela ―, bateu três vezes antes de Neji aparecer na porta.
― Eu não quis magoá-lo. ― ela fitou o primo por longos segundos, e ele suspirou em troca.
― Não estou magoado, Hinata. ― afirmou, escorou-se no vão na porta ― Só quero que você fique bem. Não suportaria se algo acontecesse a você... "De novo...", completou mentalmente.
Espontaneamente, Hinata o abraçou. Por um momento ele quis afastá-la, afinal tinham que conservar a distancia entre eles como parte do regulamento, no entanto suas mãos pairaram no ar, fechou os olhos perolados e deixou-se envolver pelo abraço cálido e delicado, colocou as mãos nas costas da prima e a cabeça sobre a dela. Abandonou toda e qualquer reserva e ficaram ali, como se nada mais existisse. Um dos poucos momentos em que poderia ter a presença de Hinata sem os olhares alheiros.
Farto da cena, Sasuke se afastou e as correntes desapareceram.
Mesmo que o risco de um novo suicídio tivesse diminuído a zero, ele continuava noite a pós noite, vigiando-a. Se os conselheiros o descobrissem estaria em uma seria encrenca ― coisa que ele não ligava ao mínimo ― já que estava sempre metido em problemas.
Suspirou e continuou a olhá-la pela fresta da janela, ela estava sentanda sob uma penteadeira belíssima de vidro, os frascos de perfumes, cremes e maquiagens estavam perfeitamente alinhados, ela se olhava no espelho e passava a escova sob os cabelos rosados.
Sakura se levantou e foi até a janela, o primeiro impulso de Naruto foi se esconder ― um ato desnecessário ― já que ela não podia vê-lo. Em seguida passou a admirá-la.
A noite gélida fez com que o corpo quente de Sakura se arrepiasse, mas ela não ligou e continuou parada fitando os astros luminosos. A imagem parecia tão linda aos olhos de Naruto que ele teve vontade de chegar mais perto, de se aproximar mesmo que fosse o mínimo. E assim o fez. Esgueirando sob a escuridão ele chegou até ela, sentou-se na sacada e tocou levemente em seu rosto, não que ela pudesse sentir, mais ainda sim era um gesto de carinho.
Ficou algum tempo admirando-a em silêncio.
― Sakura... ― ele sussurrou seu sorriso resplandecia tão intensamente que poderia iluminar até o ser mais sombrio. E para seu maior espanto a voz feminina soou, baixa, mais alta o suficiente para que ele pudesse ouvir:
― Naruto...
Abriu a porta e entrou rapidamente. Frente a ele encontravam-se os seus superiores cada qual sentando em sua cadeira feita de metal amarelo conhecido pelos humanos como ouro. Fez uma careta e em seguida fez reverencia formal, deu alguns passos para a cadeira mais próxima, sentou-se e esperou até que os mais velhos dos anciões desse início aquela sessão, que ele previa, seria longa.
Suigetsu já estava aborrecido por ter que ficar tanto tempo escutando algo que não lhe importa. Então se desligou completamente no que eles diziam, sua mente começou a divagar até que parou no ponto ruivo, Karin. Há essa hora, ela devia estar maldizendo todos os palavrões que ela conhecia contra ele. Esse pensamento quase o fez sorrir, sacudiu a cabeça e tentou prestar atenção no que os seus superiores diziam. Era melhor não pensar nela, pelo menos por enquanto.
― Então você está de acordo? ― perguntou o homem de aparência enrugado. Sua voz ecoou por toda a sala, e alguns pares de olhos se voltaram para Suigetsu à espera de uma resposta, por um momento ele ficou perdido.
― Hum... Sim. ― respondeu distraidamente. Todos soltaram exclamações de alivio e contentamento. A expressão do mais velho abrandou e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios enrugados.
― Então, você Suigetsu está oficialmente no caso Hyuuga. Você dará fim à existência de Hyuuga Hinata.
Ele, definitivamente, tinha que prestar mais atenção ao que aqueles velhos traiçoeiros diziam.
Kiba apoiou suas mãos nas laterais da pia e olhou intensamente dentro dos olhos castanhos refletidos no espelho. Eram belos olhos castanhos. Um rosto bonito, que seus curtos cabelos castanhos realçavam. Era bonito. Então porque diabos; Hinata havia escolhido aquele protótipo de fantasma?
Raivoso, deu as costas ao espelho do banheiro e saiu para encontrar com seu amigo. Shino suspirou, ele ainda estava inconformado.
― Ei, Shino! Ele não era para ser SÓ o segurança dela? ― perguntou. Saltou na cama do amigo, Shino soltou um suspiro leve, e olhou para o amigo que pulava sem parar em sua cama.
― Tecnicamente; sim. Mas quando uma pessoa se apaixona isso não importa muito. ― explicou e torceu para que aquilo entrasse, de uma vez por todas, na cabeça do amigo. Subitamente Kiba ficou sério, parou de pular na cama e perguntou para o amigo:
― O que aquele cara tem que eu não tenho? ― continuou, sem esperar a resposta do amigo, começou a enumerar os defeitos do Uchiha e por fim terminou num muxoxo: ― Sabe, ele não é bonito. ― murmurou e olhou para Shino para ouvir uma confirmação que não veio. ― Tudo bem... Ele pode ser bonito... Mais eu também sou ― vendo a falta de resposta do amigo resolveu insistir ― não é?
― É. ― afirmou sem muito entusiasmo. Aquela seria uma longa noite.
Sua cabeça estava uma completa desordem, estava com sono ― havia dormindo tremendamente mal à noite ―, estava mal humorada, e o pior de tudo, estava sentido falta do imbecil que atormenta todas as suas malditas manhãs. Primeiro se declara para ela, e logo depois some? O que ele estava pretendendo fazer com ela? Transformar seu celebro em geléia?
― Se ele pensa que eu vou cair na dele, Ah! Pode esperar sentado! ― resmungou enquanto mastigava um pedaço de comida. Juggo a olhava sem proferir uma palavra, era melhor não se meter com o bando de loucas a sua volta, e era por essas e por outras que ele preferia conversar com os animas. Pelo menos eles não gritavam do nada.
Sasuke havia dobrando suas longas pernas numa espécie de posição de lótus pela metade. As costas eretas e os braços cruzados indicavam impaciência. Já fazia meia hora que ele estava esperando o loiro naquele cubículo que ele chamava de apartamento. Suspirou. "Tudo bem" pensou, ele não estava com pressa mesmo, poderia esperar. Segundos depois sentiu suas pálpebras começou a ficarem pesadas, o sono estava quase tomando conta do seu corpo, quando a voz estridente do loiro soou por todo o pequeno apartamento:
― HEEEEEEEEEEEEEEEEY! ― gritou. ― O que você 'ta fazendo aqui? ― Naruto riu, colocou as mãos sobre a cabeça e falou num tom divertido: ― Você estava quase dormindo!
― Hm... Pare de gritar, idiota! ― exclamou irritando, desdobrou as pernas e levantou. Seus olhos se cruzaram por uma fração de segundos e logo a expressão a alegre do loiro se transformou em preocupação. Tinha alguma coisa errada.
― O que ouve?
Hinata ainda estava chocada com as palavras do Uchiha, tanto que até aquele momento não havia trocado nenhuma palavra. Sasuke continuavam andando, alguns passos a frente, como se nada tivesse acontecido.
Já havia parado de chover, o céu azul celeste ganhou um tom mais carregado de azul, quase negro, as pequenas e brilhantes estrelas davam um requinte especial naquele inicio de noite. Estava tão distraída que nem percebeu quando começou a fitar costas fortes e pálidas que se movimentava por baixo das vestes, quando se deu conta do que estava fazendo, ruborizou-se e balançou a cabeça. Por um momento ela achou as costas de Sasuke atraente.
Ao passo que iam chegando à casa de Hinata, Sasuke ia ficando transparente até ficar visível somente aos olhos da Hyuuga. Quando Hinata chegou à porta de casa e abriu-a, encontrou Neji com um casaco em mãos prestes a sair, Hiashi estava sentado lendo jornal, e Hanabi aparentemente estava na cozinha (dava para escutar barulho de talheres e copos batendo na mesa). Sorriu, e a expressão sólida de Neji pareceu diminuir gradualmente. Era obvio que ele ia sair de casa para procurá-la.
― Onde estava Hinata-sama? ― perguntou polidamente, no entanto, uma pontinha de preocupação podia ser vista.
Ela tirou seu casaco e o estendeu para o móvel de pequenos braços localizado atrás da porta, fez o mesmo trajeto com o guarda-chuva.
― Fui ao karaokê com o Kiba e o Shino-kun. ― explicou. ― Eu deixei um recado na geladeira, você não viu?
Gradativamente o rosto esbranquiçado de Neji foi adquirindo uma coloração avermelhada, pouco perceptível.
― Vi. ― respondeu serenamente, e suas bochechas aos poucos foram voltando à cor normal. ― Mas é perigoso você andar sozinha por aí... E está escuro...
― Eu já não sou criança, nii-san. Então não precisa me tratar como uma ― sua voz suave pareceu determinada e adulta do que alguns meses atrás. Ela gostava muito de seu primo, e não queria magoá-lo, porém sua super proteção às vezes a sufocava de tão maneira que ela se sentia presa.
― Me desculpe. ― pediu, com uma leve reverencia se retirou subindo diretamente para o seu quarto. E Hinata sentiu seu coração se aperta e sem pensar duas vezes, subiu atrás do primo ― com Sasuke bem atrás dela ―, bateu três vezes antes de Neji aparecer na porta.
― Eu não quis magoá-lo. ― ela fitou o primo por longos segundos, e ele suspirou em troca.
― Não estou magoado, Hinata. ― afirmou, escorou-se no vão na porta ― Só quero que você fique bem. Não suportaria se algo acontecesse a você... "De novo...", completou mentalmente.
Espontaneamente, Hinata o abraçou. Por um momento ele quis afastá-la, afinal tinham que conservar a distancia entre eles como parte do regulamento, no entanto suas mãos pairaram no ar, fechou os olhos perolados e deixou-se envolver pelo abraço cálido e delicado, colocou as mãos nas costas da prima e a cabeça sobre a dela. Abandonou toda e qualquer reserva e ficaram ali, como se nada mais existisse. Um dos poucos momentos em que poderia ter a presença de Hinata sem os olhares alheiros.
Farto da cena, Sasuke se afastou e as correntes desapareceram.
Mesmo que o risco de um novo suicídio tivesse diminuído a zero, ele continuava noite a pós noite, vigiando-a. Se os conselheiros o descobrissem estaria em uma seria encrenca ― coisa que ele não ligava ao mínimo ― já que estava sempre metido em problemas.
Suspirou e continuou a olhá-la pela fresta da janela, ela estava sentanda sob uma penteadeira belíssima de vidro, os frascos de perfumes, cremes e maquiagens estavam perfeitamente alinhados, ela se olhava no espelho e passava a escova sob os cabelos rosados.
Sakura se levantou e foi até a janela, o primeiro impulso de Naruto foi se esconder ― um ato desnecessário ― já que ela não podia vê-lo. Em seguida passou a admirá-la.
A noite gélida fez com que o corpo quente de Sakura se arrepiasse, mas ela não ligou e continuou parada fitando os astros luminosos. A imagem parecia tão linda aos olhos de Naruto que ele teve vontade de chegar mais perto, de se aproximar mesmo que fosse o mínimo. E assim o fez. Esgueirando sob a escuridão ele chegou até ela, sentou-se na sacada e tocou levemente em seu rosto, não que ela pudesse sentir, mais ainda sim era um gesto de carinho.
Ficou algum tempo admirando-a em silêncio.
― Sakura... ― ele sussurrou seu sorriso resplandecia tão intensamente que poderia iluminar até o ser mais sombrio. E para seu maior espanto a voz feminina soou, baixa, mais alta o suficiente para que ele pudesse ouvir:
― Naruto...
Abriu a porta e entrou rapidamente. Frente a ele encontravam-se os seus superiores cada qual sentando em sua cadeira feita de metal amarelo conhecido pelos humanos como ouro. Fez uma careta e em seguida fez reverencia formal, deu alguns passos para a cadeira mais próxima, sentou-se e esperou até que os mais velhos dos anciões desse início aquela sessão, que ele previa, seria longa.
Suigetsu já estava aborrecido por ter que ficar tanto tempo escutando algo que não lhe importa. Então se desligou completamente no que eles diziam, sua mente começou a divagar até que parou no ponto ruivo, Karin. Há essa hora, ela devia estar maldizendo todos os palavrões que ela conhecia contra ele. Esse pensamento quase o fez sorrir, sacudiu a cabeça e tentou prestar atenção no que os seus superiores diziam. Era melhor não pensar nela, pelo menos por enquanto.
― Então você está de acordo? ― perguntou o homem de aparência enrugado. Sua voz ecoou por toda a sala, e alguns pares de olhos se voltaram para Suigetsu à espera de uma resposta, por um momento ele ficou perdido.
― Hum... Sim. ― respondeu distraidamente. Todos soltaram exclamações de alivio e contentamento. A expressão do mais velho abrandou e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios enrugados.
― Então, você Suigetsu está oficialmente no caso Hyuuga. Você dará fim à existência de Hyuuga Hinata.
Ele, definitivamente, tinha que prestar mais atenção ao que aqueles velhos traiçoeiros diziam.
Kiba apoiou suas mãos nas laterais da pia e olhou intensamente dentro dos olhos castanhos refletidos no espelho. Eram belos olhos castanhos. Um rosto bonito, que seus curtos cabelos castanhos realçavam. Era bonito. Então porque diabos; Hinata havia escolhido aquele protótipo de fantasma?
Raivoso, deu as costas ao espelho do banheiro e saiu para encontrar com seu amigo. Shino suspirou, ele ainda estava inconformado.
― Ei, Shino! Ele não era para ser SÓ o segurança dela? ― perguntou. Saltou na cama do amigo, Shino soltou um suspiro leve, e olhou para o amigo que pulava sem parar em sua cama.
― Tecnicamente; sim. Mas quando uma pessoa se apaixona isso não importa muito. ― explicou e torceu para que aquilo entrasse, de uma vez por todas, na cabeça do amigo. Subitamente Kiba ficou sério, parou de pular na cama e perguntou para o amigo:
― O que aquele cara tem que eu não tenho? ― continuou, sem esperar a resposta do amigo, começou a enumerar os defeitos do Uchiha e por fim terminou num muxoxo: ― Sabe, ele não é bonito. ― murmurou e olhou para Shino para ouvir uma confirmação que não veio. ― Tudo bem... Ele pode ser bonito... Mais eu também sou ― vendo a falta de resposta do amigo resolveu insistir ― não é?
― É. ― afirmou sem muito entusiasmo. Aquela seria uma longa noite.
Sua cabeça estava uma completa desordem, estava com sono ― havia dormindo tremendamente mal à noite ―, estava mal humorada, e o pior de tudo, estava sentido falta do imbecil que atormenta todas as suas malditas manhãs. Primeiro se declara para ela, e logo depois some? O que ele estava pretendendo fazer com ela? Transformar seu celebro em geléia?
― Se ele pensa que eu vou cair na dele, Ah! Pode esperar sentado! ― resmungou enquanto mastigava um pedaço de comida. Juggo a olhava sem proferir uma palavra, era melhor não se meter com o bando de loucas a sua volta, e era por essas e por outras que ele preferia conversar com os animas. Pelo menos eles não gritavam do nada.
Sasuke havia dobrando suas longas pernas numa espécie de posição de lótus pela metade. As costas eretas e os braços cruzados indicavam impaciência. Já fazia meia hora que ele estava esperando o loiro naquele cubículo que ele chamava de apartamento. Suspirou. "Tudo bem" pensou, ele não estava com pressa mesmo, poderia esperar. Segundos depois sentiu suas pálpebras começou a ficarem pesadas, o sono estava quase tomando conta do seu corpo, quando a voz estridente do loiro soou por todo o pequeno apartamento:
― HEEEEEEEEEEEEEEEEY! ― gritou. ― O que você 'ta fazendo aqui? ― Naruto riu, colocou as mãos sobre a cabeça e falou num tom divertido: ― Você estava quase dormindo!
― Hm... Pare de gritar, idiota! ― exclamou irritando, desdobrou as pernas e levantou. Seus olhos se cruzaram por uma fração de segundos e logo a expressão a alegre do loiro se transformou em preocupação. Tinha alguma coisa errada.
― O que ouve?
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Já tinha o veredicto na ponta da língua, mas preferiu manter um suspense. Ver a expressão aflita de Sasuke era apenas um bônus adicional. O moreno continuava sentando, porém, agora seus joelhos estavam retos e as mãos frias esticadas sobre o tronco.
― Merda, Naruto, fala logo! ― rosnou angustiado. Se não fosse um ser natimorto provavelmente estaria suando, e apertando as mãos de nervosismo. Ou talvez não, afinal aquele era Uchiha Sasuke.
― Puff. Você devia ser mais agradecido. Eu como seu amigo estou disposto a te ajudar e você me responde assim? ― repentinamente os olhos de Sasuke ficaram escarlates, a impaciência já estava tomando conta de si. ― Também eu vou contar. ― num abrir e fechar, os olhos de Sasuke já haviam voltado à normalidade. ― O negocio é simples, você o grande queridinho do conselho, está apaixonado por Hyuuga Hinata. Que por sinal era a garota que você tinha que matar. Ah! Você está numa grande encrenca.
― E o que eu faço?
O loiro deu de ombros. Aquela resposta ele também queria saber.
― Acho que você vai ter que esperar. Ou... ― pausa dramática ― Ou você pode se declarar para ela.
― Que espécie de louco você acha que eu sou?
― Um apaixonado. Além do mais você não perde nada tentando não é?
― Claro que perco! Você sabe muito bem as regras Naruto.
― Sei, sei. ― Naruto revira os olhos e coloca as mãos para cima. ― Se você se apaixona por um humano, e em qualquer hipótese declarar-se ao mesmo, você perderá suas asas e se transformará em cinzas. E a mesma regra vale, caso você queira salvar seu humano da morte. ― um olhar sínico passou do loiro para o moreno. ― Esqueci de alguma coisa?
― Não. Pelo menos uma coisa você gravou corretamente. ― comentou com sarcasmo. Um sorriso quase sincero. ― Isso vindo do pior aluno da escola Shinigami é realmente um milagre.
― Bastardo!
― Finalmente eu te encontrei! ― desabafou a ruiva. Tinha percorrido todo o mundo Shinigami a procura do garoto, mas este parecia ter desaparecido.
― Hn. Karin? O que você está fazendo aqui?
― O que eu estou fazendo aqui? ― repetiu indignada e apontou um dedo acusador. ― Primeiro você me beija, depois se declara, eee... Logo depois some! O que você espera que eu faça?
― Pelo que eu me lembre. Foi você que disse para eu me mandar, que o meu beijo era repulsivo e que você era e sempre seria apaixonada pelo Sasuke! ― terminou sarcástico. Era miseravelmente difícil entender uma mulher, ainda mais está mulher sendo a Karin.
― Mas uma pessoa não pode simplesmente beijar a outra se declarar e desistir! Isso é ridículo!
― Ridículo, Karin, é você correr atrás de alguém que nunca te deu esperança. E que sempre te tratou com indiferença!
― Mais você não era muito diferente! ― acusou. ― Sempre fazia piadinhas maldosas, e ria de mim.
― Urfh. Você é uma idiota mesmo, pelo jeito eu tenho que explicar tudo nos mínimos detalhes.
Suigetsu manejou a espada, e só então Karin notou que ele estava pronto para matar. Ergueu uma sobrancelha e o mirou curiosa.
― Você foi chamado pelo conselho?
― Sim. ― ele olhou um relógio de pulso ― Falando nisso já estou atrasado.
Sem mais, ele desapareceu numa nuvem de fumaça, deixando uma Karin muito curiosa para trás.
Subitamente Hinata sentiu frio, um frio que nenhuma manta poderia esquentar. Seu coração congelou ao seu dar conta que a corrente que a ligava a Sasuke havia desaparecido. Sentiu um vazio diferente da outra vez, um vazio ainda mais profundo. Respirou fundo e tentou se acalmar para Neji não perceber o quão nervosa estava. Quando já estava confiante o suficiente separou-se do abraço, ficou na ponta dos pés beijou-lhe no rosto.
― Acho que já esta na hora de dormir. ― disse carinhosamente, deu uma última olhada para Neji, sorriu-lhe e antes de fechar a portar murmurou: ― Boa noite.
Ao fechar a porta atrás de si, deixou seu olhar percorreu cada canto do quarto, não deixou nada sair do seu campo de visão. Para sua angústia, estava tudo lá, menos Sasuke. Suas pernas fraquejaram, e ainda encostada sob a porta, ela escorregou lentamente até chegar ao chão. Seu coração martelava, lagrimas começaram a brotar, ela não conseguia pensar. Sua mente estava em branco. E algo não estava certo, no fundo do seu coração ela sentia.
― Hyuuga Hinata. ― a morena sobressaltou ao ouvir o nome tão perto de si, virou e viu um ser translúcido estava ao seu lado. Tinha cabelos verdes, roupas e asas negras, uma espada, aparentemente pesada. ― Você tem um desejo. Eu vim lhe buscar.
Rapidamente Hinata se afastou da porta, seu coração batia acelerado. E sua mente chamava por Sasuke. Não queria morrer, não daquele jeito, não pelas mãos de outra pessoal. Seus pensamentos foram interrompidos, quanto sentiu a corrente fria sobre sua pele, e Sasuke ao seu lado.
― O que está fazendo aqui? Suigetsu?
― O conselho mandou que eu viesse tomar a vida de Hyuuga Hinata.
― O que...? ― por um momento ele perdeu a fala. ― Impossível! Eles não podem...! ― as palavras inconclusivas bailavam pelo ar, mesmo assim Suigetsu pode entender o que o moreno queria dizer. No relatório que lhe deram, Hinata tinha no mínimo mais dez anos de vida. Mas ele não era pago para questionar os velhos, tudo o que tinha que fazer era obedecer a tal ordem.
― Sinto muito, Sasuke. ― as palavras não carregavam pena, ou dor, apenas uma constatação de que aquilo não poderia ser mudado.
― Você não vai tocar nela! ― declarou o moreno, beirando o nervosismo jamais visto por nenhum dos dois. Os olhos negros transmitiam um brilho ameaçador; assassino.
Hinata olhava a cena horrorizada sem saber ao certo o que fazer. Suigetsu estava irritado pela situação que fora obrigado a participar e Sasuke estava nervoso e pela primeira vez sem saber o que fazer. Então, palavras de muito tempo atrás vieram a sua mente.
"O único jeito de salvar seu humano e colocando-se em seu lugar" Era isso!
Seu olhar passou do garoto a morena. Um sorriso curto aflorou em seus lábios, se alguém, há alguns meses atrás lhe dissesse que tudo isso iria acontecer, ele provavelmente não acreditaria.
― Eu vou resolver isso. Enquanto isso, não a toque. ― a advertência era obvia. Ele se virou para Hinata. ― Eu voltarei logo. Não se preocupe.
Com uma fumaça densa ele desapareceu. Suigetsu ficou sem saber o que fazer olhou de Hinata para o lugar onde Sasuke estava, e suspirou. Não poderia desobedecer a ordem do conselho, tão pouco poderia ir contra a advertência de Sasuke. Tudo o que ele poderia fazer era esperar. Hinata por outro lado estava nervosa, suas mãos suavam e sem nenhum motivo aparente, tinha vontade de chorar. Porém se segurou. Confiaria em Sasuke, mesmo que seu coração vociferasse que algo estava errado na expressão apática do moreno.
Passou rapidamente pelas enormes portas do conselho, não cumprimentou nem olhou para ninguém. Não tinha tempo para isso agora. Já tinha tomado sua decisão, e faria tudo para alcançar seu objetivo. Quando passou pela última porta, o olhar do conselho recaiu sobre ele. O conselheiro mais velho o olhou com algum tipo de aversão, a mulher inspecionou-o de cima a baixo como se fosse um inseto insignificante, o homem de cabelos prateados o olhava de soslaio, ambos se perguntando o que ele estaria fazendo ali.
― Eu vim renunciar a minha vida. E como último desejo; quero que a vida de Hyuuga Hinata seja instaurada.
― O que? Isso é uma afronta ao conselho! Um puro sangue não pode dar sua vida para uma humana! ― disse a mulher com todo o desprezo possível.
― A vida é dele. Ele pode fazer o que bem entender. ― ponderou o homem de cabelos prateados, controlando a 'histeria' da mulher. ― Tem certeza que é isso que você quer, Uchiha Sasuke? Está ciente de tudo o que acontecerá com você?
― Sim.
― Nesse caso eu, como membro maior do conselho aceito a sua renuncia. Você terá que pingar três gotas do seu sangue no chão, dizer seu último desejo, e logo em seguida você se transformará em cinza. E só podendo renascer daqui a dois mil e quatrocentos anos.
Assim como o conselheiro havia lhe tido, Sasuke cortou o dedo e deixou que três gotas de sangue caíssem sobre o chão. Aos poucos seu corpo foi se desfazendo, um sorriso (um dos poucos verdadeiros) firmou em sua face. O frio Shinigami havia finalmente encontrado seu destino.
...FIM...
