N/A: Acho pouco provável que em 2016 alguém ainda vá começar a ler essa fanfic, mas me vejo na obrigação de fazer essa N/a de qualquer forma, caso apareça algum leitor novo e desavisado. Siga em frente, leitor, tendo em mente de que comecei a escrever essa fic quando tinha apenas 12 anos de idade e que apesar de ter feito muitas mudanças nela depois que retomei a escrever (anos depois) ela ainda tem muitas coisas que eu nunca escreveria hoje em dia, pois minha visão mudou demais. Ainda escreveria a Ginny forte, e o desenvolvimento da personagem do Draco, mas talvez maneirasse um pouco no nível de abuso no relacionamento entre os dois. Ou pelo menos tentaria não romantizar as cenas de abuso. As cenas não estão muito violentas, mas só queria dizer que por mais que seja interessante escrever sobre essas coisas, na vida real devemos passar longe de pessoas como o Draco e NUNCA entrar em um relacionamento abusivo acreditando que o poder do amor vai mudar aquela pessoa. NO SPOILERS! Não é bem isso que acontece na fic, mas fiquei com medo de entenderem essa mensagem.
Acredito sim que o amor é capaz de mudar as pessoas, mas quando se trata de relacionamento abusivo o que é capaz de mudar o abusador é terapia e amor da FAMÍLIA e de amigos. Nunca da pessoa que está sofrendo o abuso. Na minha opinião a fic ficou bem legal, mas leiam levando em conta tudo o que eu disse nessa notinha aqui, ok?
Obrigada e boa leitura! ;)
A Era dos Comensais
Capítulo I – Massacre à Toca.
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"Não temais os que matam o corpo e depois, não têm mais que fazer."
-Lucas 12:4,5
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Respirando pesadamente e tentando controlar as próprias emoções, Ginny olhou rapidamente para o céu. A escuridão anunciando a madrugada.
Mesmo não estando muito preocupada, deu dois passos cautelosos para trás, sendo pouco escondida pela sombra do homem alto que fora seu mentor por tanto tempo.
Do outro lado da praça, o ministro olhou-a com simpatia e o homem louro ao seu lado fechou os punhos.
Sua melhor amiga se endireitou com a varinha a postos, pronta para brigar uma batalha antiga.
Uma batalha que sobreviveu aos destroços da guerra.
A batalha de Ginny.
10 de junho de 1998
-Papai!
-Molly, corra! Eles chegaram! - gritou Arthur Weasley, com a face vermelha, os poucos cabelos extremamente desgrenhados e a varinha em punho.
A próxima coisa que Ginny soube é que estava sendo arrastada escadas acima numa confusão de mãos e gritos. Só teve tempo de reconhecer Ron quando ele abriu a porta do próprio quarto e a forçou para dentro.
Antes que ela pudesse abrir a boca para falar alguma coisa, ele lançou-lhe uma longa capa. Ela a tirou de seu rosto acomodando-a em suas mãos ouvindo as instruções do irmão.
-Fique aqui. Quieta e escondida na capa! Se ouvir nossos gritos, fique quieta, se sentir que estamos perdendo, fique quieta, se sentir que estamos ganhando, fique quieta, se você ouvir gigantes arrombando a sala, fique quieta. Só saia quando tiver absoluta certeza de que é seguro. Quando fizer isso, vá para a floresta e acione a chave de portal. Está na árvore grande perto do lago. Ela te levará para um lugar seguro.
Ginny fez que sim mais por reflexo do que por concordância. Sentia que não era hora para discutir com o irmão.
-E você?
Ron deixou a expressão amolecer e se aproximou, abraçando-a desajeitadamente com um braço só. A verdade é que não se importava muito com o que aconteceria consigo. Já ficaria feliz sabendo que Ginny estava a salvo.
-Não deixe que eles te machuquem Gi! – murmurou no ouvido da irmã, dando o melhor de si para que sua voz não tremesse tanto. – Seja forte!
A ruiva sentiu o incomodativo nó na garganta apertar a ponto de quase sufocá-la.
-E quando eu não fui? – confortou-o.
Ele sorriu. Parecia querer dizer mais alguma coisa, porém o violento tremor que tomou conta da casa o interrompeu.
O lar dos Weasley chacoalhava violentamente com a força dos feitiços que eram lançados sobre ele.
Ginny olhou com pesar, seu irmão sair e trancar a porta do quarto. Sentia que não devia tê-lo deixado ir, mas sabia que mesmo se tivesse tentado, não conseguiria impedi-lo de lutar. Ginny por outro lado, depois de muita insistência, convencera-se de que o melhor para todos era que ficasse de fora.
Era uma excelente duelista. Já lutara com comensais mais vezes do que podia contar e nunca saíra gravemente ferida. Tivera aulas com o próprio Harry Potter, e pessoas menos capazes do que ela haviam lutado.
Mas ela também era a caçula de uma grande família de homens. Se saísse, por mais que duelasse de forma extraordinária (como geralmente fazia), seus irmãos estariam o tempo todo desconcentrados, tentando protegê-la. Acabariam ficando fracos e sendo mortos.
-Te amo. – ela murmurou debilmente para a porta.
Sentou-se na cama sentindo as lágrimas caindo sem controle. Podia ouvir barulhos estrondosos no andar de baixo e o pavor tomava conta de si ao perceber que os comensais estavam em sua casa, ultrapassando todas as barreiras e feitiços colocados pela Ordem.
Obedecendo ao irmão com as mãos trêmulas, envolveu-se com a capa, entendendo tardiamente que se tratava da capa de invisibilidade do falecido Harry Potter. O amor de sua vida que morrera há dois dias atrás, em uma batalha que houvera em Godric's Hollow.
Os aurores e os integrantes da ordem não tiveram nem oportunidade de recolher o corpo, pois no momento seguinte, Voldemort desapareceu deixando os comensais para lutar e os grupos se envolveram numa batalha sangrenta, da qual poucas pessoas sobreviveram. O corpo de Harry não foi encontrado depois disso.
Encolheu-se um pouco mais ao ouvir um estrondo particularmente alto. Um som de faíscas que só poderiam ter sido produzidas por um forte feitiço. Ela podia ouvir milhões deles voando de um lado para o outro, atingindo bruxos, destruindo sua casa. Destruindo a sua alma.
Tentou abafar o som de seus lamentos involuntariamente altos enterrando seu rosto na capa, e não soube quanto tempo ficou assim. Talvez dez minutos, quatro horas, ou várias noites sombrias. Presa nessas lamúrias, Ginny acabou por perder completamente a noção do tempo.
Seu lar, invadido... destruído.
Seus pensamentos depressivos foram interrompidos por um grito feminino tão agudo, tão desesperado, tão doloroso, que chegou a penetrar em sua mente, deixando-a tonta. Um incomodativo silêncio se estabeleceu por alguns segundos. Como se ninguém, Comensal ou Weasley, acreditasse no que acabara de acontecer.
- Você... a... matou!
- Ela mereceu!- Ginny ouviu Ron falar com a voz forte dando-lhe uma idéia clara de qual fora a surpresa de todos. Ninguém pensara que logo Ronald seria capaz de matar alguém, mesmo sendo uma suposição extremamente ilógica no meio de uma guerra. – Sua vez.
A garota se encolheu com o tom venenoso e sanguinário atípico de seu doce e atrapalhado irmão e pelos sons, percebeu que os dois realmente começaram a duelar. Queria espancar a porta até que ela caísse para poder descer e ajudar o irmão.
Demoraram alguns minutos para que ela o ouvisse gritar. Um grito desesperado, como se ele estivesse pedindo socorro, como se estivesse pedindo sua ajuda. Ajuda que ela nunca poderia dar.
Ouviu algumas exclamações.
-Juro. Achei que ele agüentaria mais do que isso. – pode ouvir alguém falar.
A garota soluçou mais alto, sua família a havia deixado. Prendeu a respiração ao perceber passos apressados subindo pelas escadarias. Fazendo sombra no vão da porta enquanto passavam pelo quarto de Ron. Seu alívio ao ver que não estavam procurando-a não durou muito ao perceber que se encaminhavam para o quarto de seus pais.
X
-Se escondendo, Molly?- perguntou uma voz sarcástica.
A mulher não respondeu. Ela tentava parecer forte e abafar os soluços.
-Patética!- o homem falou com nojo antes de levantar sua varinha negra em direção a mulher. – Acredito que ouvir seus filhotes morrerem já foi tortura o suficiente para você, não é mesmo? Sou um homem misericordioso. – ele tomou fôlego e começou a proferir numa voz forte e grave. - Avada...
Nenhum dos comensais poderia dizer de onde a figura magra de Percy Weasley surgiu. Não tiveram tempo de fazer nada, apenas observar com espanto enquanto o garoto se prostrava rapidamente na frente da mãe. -...Kedavra!- terminou Lucius. O jato de luz verde atingiu metade das costas do ruivo.
Seu corpo tombou como um simples peso morto e caiu por cima da matriarca dos Weasley.
-Percy, Percy querido, não! Não faça isso comigo!- dizia Molly aos prantos tentando insanamente reanimar seu filho, mesmo sabendo que já era muito tarde. Percy não tinha a expressão comum da Maldição da morte. O cenho estava franzido e os olhos fechados.
-Que lindo Weasley!- zombou Lucius sarcástico provocando risadas dos outros comensais. - Voltou no último momento para salvar a mãe. Pelo menos sabemos que não foi para o inferno.
Molly parou de chorar e levantou a cabeça, esperando com uma resignação assombrosa, o seu fim.
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-Mãe...
Nem se quisesse gritar Ginny teria forças. Cada feitiço pronunciado pelos comensais pareciam atingi-la com a força de um soco. Roubando-lhe o ar e qualquer resquício de alegria.
Molly Weasley morreu silenciosamente. E Ginny desejou poder fazer o mesmo.
Seus joelhos cederam e foram de encontro ao chão com força. A dor forneceu-lhe uma estranha espécie de conforto. Com mais cuidado para não fazer muito barulho, deixou seu corpo tombar, apoiando as costas à parede.
Flashes, imagens e lembranças passavam tão nítidas por sua cabeça que sua vista ficou turva. Imagens de cada um deles. Seu pai, sua mãe, Fred, George, Bill, Charlie, Percy e Ron. As brigas sem fundamento, as brincadeiras, as risadas... ela podia ouvir tudo de forma tão clara que por um breve instante teve medo de ter perdido a cabeça.
Ou talvez seu cruel subconsciente apenas estivesse lhe fornecendo uma amostra do que ela nunca mais teria. Por mais que sempre demonstrasse o quanto amava-os, sabia que ainda haviam muitas palavras não ditas. Sua história com sua família não tinha chegado a um fim próprio. Havia sido interrompida bruscamente, sem a sua permissão.
Totalmente sem forças, coberta pela capa, Ginny deixou as lágrimas rolarem cada vez mais apressadas em seu rosto. As vozes de sua falecida família ficaram mais nítidas, confundindo-se entre a capa, o quarto extremamente laranja e imagens distorcidas da sua infância.
Até que as risadas dos comensais apagaram tudo isso, aumentando conforme a sua consciência diminuía.
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-Falta uma. - uma voz fria e cortante falou, interrompendo as risadas dos outros.
-Milorde... – começou Rodolphus, surpreso pelo Lorde ter se deslocado à Toca para advertir o andamento de uma missão. Em tempos comuns, mandaria qualquer outra pessoa em seu lugar ou os deixaria no erro apenas pela diversão de puni-los mais tarde.
-Não podem queimar a casa. – a voz do homem era fria e cortante, mesmo que sua expressão fosse leve. – Ainda há um Weasley. No andar de cima.
- Não se preocupe Milorde. Cuidaremos disso. – Lucius se pronunciou olhando de esguelha para o comensal ao seu lado que, sob a máscara, mostrava traços pontudos e fortes no rosto.
-É o que espero. - disse Voldemort num sussurro. – Narcissa caiu, mas não iria querer que vocês falhassem. – comentou antes de desaparatar.
Os comensais ficaram silenciosos enquanto Lucius passava os olhos por ele. O homem não parecia muito atordoado pela morte da esposa mesmo que isso fosse algo totalmente inesperado. Aquela era para ser uma missão básica. Eles não contavam com nenhuma morte do lado deles.
-Draco!- exclamou Lucius quebrando o silêncio.
O garoto virou-se para ele, demonstrando que estava escutando.
- Ache a garota Weasley. - ele disse olhando intensamente para o loiro mais jovem. - Mate-a.
Rodolphus franziu o cenho, raciocinando que teria sido mais fácil apenas queimar a casa junto com a garota ao invés de fazer Draco ter o trabalho de ir até ela. Ele não precisava de mais crédito perante ao Lorde, acabara de vê-lo matando Arthur e Ronald Weasley.
Bom, não tinha visto exatamente, mas diria ter visto toda a cena com detalhes quando contasse a história.
Olhou para o afilhado com o canto do olho e seu cenho franziu mais ainda quando o pegou sorrindo. Não era um sorriso comum, era um sorriso estranho, amargurado, faminto... raivoso.
-Certo. – Draco concordou antes de subir as escadas em direção ao único quarto que continuava com a porta fechada.
-Ele não precisará de nós. – Lucius falou com tédio. O corpo da mulher em seus braços. Ele desapareceu num estalo. Demoraram alguns segundos para que os outros entendessem que deviam segui-lo.
-Sim, tia? – Draco perguntou ao perceber que Bellatrix se demorara um pouco mais. A mulher baixou o capuz e o encarou com um brilho malicioso nos olhos.
-Tenha certeza de que a torturou o suficiente. – ela ordenou lançando-lhe um sorriso cúmplice o qual Draco retribuiu prontamente. Ela desapareceu num estalo.
Num movimento brusco, Draco empurrou a porta, apenas para perceber que estava trancada. Riu consigo mesmo com a facilidade que teve para derrubá-la.
Oh sim. Os feitiços que aprendera com o Lorde das Trevas eram realmente de um nível superior.
Olhou com certo enjôo para o quarto berrantemente laranja com figuras de um péssimo time de Quadribol. Sua careta de nojo se desfez quando seus olhos captaram uma mecha ruiva saindo do nada. Era meio fascinante ver aquele cacho rubro apenas flutuando no ar, então ele foi lento enquanto se aproximava.
Num movimento rápido arrancou a capa de cima de Ginny Weasley, que se moveu mais rápido do que ele esperaria para trás de uma escrivaninha.
-Uma capa de invisibilidade? Sério, Weasley? – perguntou com humor.
Os cabelos rubros, mesmo assanhados, com uma mecha por cima da outra, davam a ela uma inesperada graça. O rosto vermelho de lágrimas que ela tentava conter a todo custo, era bonito e bem feito. Seu corpo um pouco mais magro do que ele se lembrava.
Ginny Weasley continuava linda como da última vez que a vira em Hogwarts. Era bom poder vê-la uma última vez.
Perguntou-se se ela já havia o reconhecido, já que ainda usava a máscara. Parecia que sim. Sua voz era uma característica mais marcante do que pensava.
Sorriu enquanto riscava o ar com a varinha. Cortes abriram o colo de Ginny quando chamas roxas queimaram sua pele. A exclamação dela foi fraca. Como se quisesse gritar, mas não conseguisse.
Caiu.
-Levanta Weasley!- exclamou sentindo-se um pouco decepcionado. Esperava que ela fosse mais difícil. Que lutasse mais!
Ginny continuou sem reação, rezando baixinho para que ele a matasse logo. Tiraria de si o peso de um suicídio.
-Levanta estúpida!
Numa explosão inesperada, Draco chutou o corpo tão menor do que o seu, fazendo-a rolar pelo chão. Ginny teve a impressão de ter sentido gosto de sangue em sua boca, mas engoliu para que pudesse gritar com clareza:
-Me mate! Acabe com isso logo! – ao ver seu sangue misturando com as lágrimas no carpete repetiu fracamente: - Acabe logo com isso.
Draco se aproximou dela em passos preguiçosos. O sorriso em seu rosto era sarcástico, mas Ginny notou uma raiva injustificada em seu olhar.
-Sabe Weasley... - ele começou, sorrindo maliciosamente – Você foi muito má comigo em Hogwarts - ele completou pegando uma mecha de cabelos ruivos. – Muito má.
Ginny levantou-se o mais rápido que seu corpo machucado lhe permitia. Para sua surpresa, Draco permitiu que ela se afastasse. Parecia estar realmente se divertindo.
-Qual o problema?
Ela alcançou sua varinha e apontou-a para o peito dele.
-Não chegue mais perto.
Ele olhou para ela e para a varinha em sua mão, sentindo uma certa euforia ao notar o quanto ela tremia.
Não levando muito a sério a ameaça dela, aproximou-se. Ginny berrou um feitiço em sua direção.
O jorro de magia que saiu da varinha dela foi tão grande que o escudo improvisado que Draco conjurou no último momento o fez arrastar-se para trás.
-Bom trabalho, Weasley. – congratulou com bom humor. – Expelliarmus.
Ela ainda tentou se defender, mas seus movimentos e seu raciocínio estavam retardados por algum motivo.
Draco deleitou-se com a confusão no rosto da garota. Ela geralmente era uma ótima duelista. Já o azarara antes, o que havia de errado agora?
Nesse momento de distração da ruiva, o comensal se aproximou rapidamente, fazendo com que ela se chocasse contra a parede tentando evitar a aproximação.
-Se quiser me matar, faça isso logo. – ela pediu num fio de voz, como se estivesse reunindo todas suas energias para isso.
Draco estendeu a mão, prendendo-a fortemente contra a parede. O corpo dela era pequeno então essa não era uma tarefa muito difícil. Levou a outra mão até sua máscara e puxou-a para revelar seu rosto, o objeto desfazendo-se em pleno ar.
-Sem antes me divertir?- perguntou rindo como se aquela fosse uma idéia totalmente absurda. Puxou-a pela cintura. Ginny tentou se defender, mas o aperto era tão forte que seus braços acabaram presos entre os corpos. O corpo quente e grande dele parecia querer engoli-la. Podia sentir seu cheiro e seu hálito. – Sem antes tomar o que você fez tanta questão de me negar antes? Quando eu pedi de forma tão cavalheiresca? – ele riu com a idéia. – Não mesmo.
E para a grande surpresa de Ginny, os lábios dele aterrissaram nos dela.
Claro que ela se lembrava de Malfoy e suas abordagens em Hogwarts. Nunca contara para ninguém, pois nunca o levara realmente a sério. Era só um modo que ele descobrira de perturbá-la. Nunca pensou que as vezes que ele a parava no corredor, ou tentava roubar-lhe um beijo quando estavam no meio de uma discussão eram realmente sinais de desejo.
Considerou que talvez fosse essa a causa da raiva em seus olhos. Rejeição.
O beijo de Draco era diferente de tudo o que Ginny provara. Era doloroso. Forte demais. Agressivo demais. Raivoso demais.
A forma como ela se debatia era pateticamente fraca. Draco apenas colou-a um pouco mais contra a parede e fez com que seus pés saíssem do chão. Seu plano inicial de apenas beijá-la como despedida sendo totalmente substituído por planos bem mais interessantes.
Um pouco frustrada por sua fraqueza ou pela força excessiva dele, Ginny mordeu os lábios do comensal, com força.
E o bastardo gostou.
Deixou-a fazer isso por alguns segundos antes de puxar sua cabeça para trás. Descolando os lábios.
-Melhor do que eu imaginava... – ele sussurrou para o nada enquanto seus lábios desciam para o pescoço cheio de sardas da garota.
Ginny tentou encolher-se na direção da cabeça de Draco para diminuir o espaço de contato dos lábios dele com sua pele, mas isso provou-se um ato inútil. Ele pareceu entender aquela retração como uma espécie de consentimento, pois suspirou contra a sua pele e seus braços a apertaram com mais força.
Beijou a garganta dela com voracidade, sabendo que a estava machucando ao pressioná-la contra a parede daquela forma por causa dos cortes recém adquiridos. Não se importou muito. Ela merecia isso por ter sido sempre tão fria e tão teimosa em relação a ele.
Ginny deixou escapar uma exclamação rouca e ele sorriu contra a pele dela, chutando-se mentalmente por não ter sentido o sabor daquela garota mais cedo.
Demoraram alguns segundos para que ela desistisse de se movimentar. Era inútil. Só sentiria mais dor. Ele a mataria a qualquer momento, de qualquer forma. Além do mais, estava com sérias dificuldades para respirar. Precisava se concentrar nisso.
-Sabe por quanto tempo eu quis fazer isso? – Draco sussurrou em seu ouvido.
Foi quando a mão enluvada do comensal invadiu suas vestes que Ginny decidiu que devia voltar a se debater.
-Não me toque, seu imundo! – gritou raivosamente, enquanto se mexia para que a mão espalmada em suas costas saísse de dentro da sua blusa.
Ele riu maldosamente, ressentido com o nojo que viu nos olhos da garota. Sua mão abandonou as costas dela, mas continuou segurando-a firmemente acima do chão.
-Pobre Ginny Weasley. – ele cantarolou, admirando uma mecha de cabelo ruivo rebelde grudada no pescoço branco. – Eu prometo que se você ficar quieta, não vai doer tanto.
-O que...?
Ginny não conseguiu terminar sua interrogação. No segundo seguinte estava deitada na cama de Ron, o corpo de Draco pressionado fortemente contra o seu, as mãos dele invadindo novamente a sua blusa e tocando-a sem restrições. O rosto dele enterrado no seu pescoço.
Tudo aconteceu tão rápido que por dois segundos ela ficou parada, tremendo, sentindo aquele peso em cima de si.
-Malfoy, por favor...
Os ombros dele chacoalharam com uma leve risada. No entanto, ele não falou nada. Apenas riu silenciosamente contra a pele dela.
-Sua idiotinha. – ele falou depois de um tempo. – As coisas poderiam ter sido diferentes. Tudo dependia de você. Tinha que arruinar tudo, não é? Tinha que ser tão burra?
Como se para dar ênfase à raiva expressa em sua voz, seus dentes cravaram-se sobre a pele de Ginny com força. Ela gritou rapidamente e ele substituiu a dolorosa dentada por pequenas e fortes mordidinhas.
-Pára, por favor. MALFOY!
Percebendo que qualquer tentativa de sair de baixo dele seria inútil, Ginny aproveitou a mobilidade da cabeça para olhar a sua volta. De repente, ao alcance de sua mão direita estava o abajur (laranja) de Ron. Estava aceso, a lâmpada piscando como se chamasse por ela.
Num movimento rápido, ela fechou seus dedos em volta do objeto. Mirou na nuca de Draco, mas errou, acertando-lhe as costas. Ele soltou uma espécie de rugido. Depois disso foi muito fácil para Ginny empurrar o corpo dele e levantar-se da cama. Ela só precisou acertar o joelho no lugar mais vulnerável de qualquer homem.
-Weasley!- ele gritou com a voz afetada ao vê-la correr porta afora com sua varinha recuperada.
Ela pretendia correr para fora da casa, atrás da chave de portal que Ron mencionara, mas ao chegar ao primeiro andar, qualquer pensamento meramente racional foi varrido da sua cabeça.
Sua sala de estar. Sua casa. Um campo de batalha ensangüentado e destruído. Banhado com o sangue de sua família. Seus corpos frios jogados pelo chão nas posições mais estranhas que alguém poderia imaginar.
A vista de Ginny ficou turva e começou a enegrecer quando o som de uma respiração lenta chamou sua atenção.
-Ron!- gritou correndo na direção do irmão que acabara de abrir os olhos azuis. O rosto e o corpo cobertos de sangue que brotara de profundos cortes.
Agachou-se na frente dele e tocou-lhe as faces tentando trazê-lo à consciência.
-Ron você ta legal? Ron!
-Gi... - ele começou, engolindo em seco para falar com mais clareza. –Ginny fuja daqui.
-Não quero!- ela retrucou entre as lágrimas. – Prefiro morrer a deixar vocês aqui.
-Não Ginny. - ele disse - Eu quero que você viva. Quero que seja forte. Quero que continue a família. Ande! Corra para a floresta e ative a chave de portal.
-Não! Você tem que vir comigo. – ela insistiu.
-Não, Ginny. Não posso ir com você. Não agora.
A garota estava para perguntar o que o irmão queria lhe dizer quando ele a interrompeu em sua péssima tentativa de falar.
-O... mundo... não vai se ver livre dos Weasley... tão cedo assim. - ele disse com um mero sorriso que contrastava morbidamente com o sangue e as lágrimas que banhavam seu rosto. -Seja forte .
-Não. Por favor... Por favor não me deixa!- ela disse fracamente abraçando-o - Eu te amo tanto, meu irmão. Me desculpe nunca ter dito antes. Me desculpe... me desculpe...
-Seja forte Gin. – Ron mirou-a bem nos olhos. - Não se esqueça. Você é nossa fortaleza, enquanto você estiver viva nós estaremos prontos para libertá-los. - ele terminou usando suas últimas forças para beijar a mão da irmã. Ele olhou para algo em seu pescoço incisivamente, mas antes que Ginny pudesse pensar em descobrir o que ele estava encarando, Ron desfaleceu.
-O que? Ron o que isso quer dizer? Ron!
Ginny chorou em cima do corpo gelado de seu irmão, se levantou ainda com a cabeça baixa e as lágrimas caindo no chão. Empunhando uma varinha encontrada as pressas.
Tentando não olhar para os corpos, realizou o último pedido de seu irmão: Fugiu.
Correu para fora da casa e para dentro da floresta o mais rápido que suas pernas lhe permitiam. Sua velocidade era obviamente afetada pelas lágrimas e pelos cortes dolorosos, mas não desistiu. Os galhos arranhavam seus braços nus e as pedras faziam com que seus pés entortassem, mas ela tentou não parar. O vento gelado da noite lavava a confusão de sua mente deixando seus instintos mais básicos de sobrevivência em primeiro plano.
Em determinado momento, tropeçou em uma raiz. Enquanto se levantava para ver que os joelhos ralados sangravam, passou a mão pelos cortes no colo.
Não sangravam mais.
Ótimo. Ela sempre cicatrizara muito rápido.
Voltou a correr, sentindo-se feliz por não ouvir nenhuma perseguição as suas costas. Pensou em aparatar, mas sabia que era capaz de deixar uma perna para trás.
A mata estava crescida demais na parte em que Ron indicara, acabando por afetar sua mobilidade mais ainda. Foi empurrando a plantação do caminho, feliz com o barulho da água sendo movimentada pelo vento. No entanto, qualquer resquício de alívio sumiu quando ela afastou um galho particularmente grosso do seu campo de visão.
Encostado na maior árvore a beira do lago, girando nos dedos o que parecia ser um cinzeiro, Draco Malfoy a esperava com uma expressão, no mínimo, entediada. Sorriu bonito para ela quando seus olhos se encontraram.
-Por Merlin, Weasley. Você é lenta. – ele riu entre os dentes, desencostando-se da árvore.
Aquele simples movimento fez com que Ginny saísse de seu estado de terror e, tropeçando nos próprios pés, desse vários passos para trás. Apontou a varinha para ele olhando nervosamente para a chave de portal.
-Nem se incomode em tentar recuperar isso aqui. – ele riu. – Não vale mais nada.
E num gesto despreocupado jogou o objeto no lago.
Ginny estremeceu tentando não ter um ataque. Milhões de pensamentos se atropelavam, berrando em sua mente, deixando-a tonta.
-Estou impressionado com você, Ginny. – ele disse aproximando-se cautelosamente. – Deixou sua família lá caída. Nem hesitou.
-Você não sabe o que está dizendo! Cale a boca! – ela bradou balançando a varinha na direção dele.
-Desculpe se tomou isso como uma ofensa. Só fiquei surpreso. Apenas isso. – ele sorriu de canto. – Na verdade, te admiro. Nunca pensei que podia ser tão esperta, achei que era só uma idiota sentimental como o resto deles.
-Você não pode falar deles! Eram pessoas maravilhosas! Boas de uma forma que você nunca vai entender. Você não pode falar deles!
Ele deu de ombros.
-Acho que você também não. Pela forma que os deixou lá. Sabe... acho que o Ronald ainda estava respirando. Você nem pensou em parar pra ajudar?
-NÃO FALE O NOME DELE! NUNCA MAIS FALE O NOME DELE! Stupefy!
Novamente o escudo de Draco tremeu violentamente fazendo com que seus pés arrastassem-se pela areia. Quando ele baixou a varinha, ela havia sumido. Sorrindo consigo mesmo por finalmente Ginny ter decidido tornar as coisas interessantes, correu atrás dela. Ver os cabelos ruivos balançando contra o vento e o corpo esguio tropeçando entre as árvores dava-lhe a impressão de ser um bruto correndo atrás de uma ninfa.
Berrando um feitiço, admirou as costas dela sendo cortadas, assim como o tecido fino de sua blusa. Ela arfou, parando perto de uma árvore. Eram comoventes as tentativas dela de continuar. Seus movimentos lentos, difíceis, débeis e mesmo assim, tão graciosos.
Parou de correr e andou devagar para ver o quão longe ela iria. Ficou impressionado.
Quando agarrou seu braço, ela lutou bravamente. Draco puxou-a para perto, agarrando-lhe a cintura.
Ela se debatia de forma selvagem, estapeando e socando. Draco a empurrou e ela cambaleou para trás, perdendo o equilíbrio e caindo. Tentou se arrastar para longe dele antes que ele pronunciasse a maldição, mas já era tarde demais.
-Crucio!
Dor.
Dor.
Dor.
E dor.
Ginny já tivera muitos ferimentos sérios ao longo da vida. Já caíra por cima de seu braço, esmagando-o e quebrando-o, já caíra da vassoura e quebrara ambas as pernas, já caíra de escadas, já quebrara o tornozelo, já batera a cabeça inúmeras vezes em diferentes tipos de materiais, já abrira o queixo, já batera o peito em maçanetas quando eles estavam começando a crescer, já levara um soco nos rins o que alguns diziam que era a pior dor existente...
Mas nada se comparava àquilo.
Se ela tivesse a opção de ter todos aqueles ferimentos e dores repetidas ao mesmo tempo, ela aceitaria com felicidade, contanto que não tivesse que suportar mais aquela maldição.
Era como se seus ossos se quebrassem em vários pedaços e suas pontas furassem seus órgãos. Como se o ar em seu pulmão tivesse virado pedra, como se alguém apertasse seu coração num aperto de ferro, como se sua cabeça estivesse pegando fogo e sendo acertada por algo pontudo. Não conseguiria gritar nem se quisesse.
E tão rápido quanto veio, parou.
Respirou profundamente, amando o ar que entrava por seus pulmões como nunca amara nada na vida. E pensar que um dia criticara pessoas por terem passado informações sob essa maldição. Ninguém merecia tanta dor.
Segurou a tosse porque sabia que expeliria sangue. A dor não estava mais presente. Ou talvez estivesse, mas fosse insignificante demais para ser notada. Quando abriu os olhos, sentiu-se mais esperançosa. Seu corpo estava completamente saturado, mas sua mente estava alerta. Sentia que, se resistiu àquela dor, poderia resistir qualquer coisa que viesse depois.
Esse pensamento lhe deu forças para levantar e olhar para frente, encarando um Draco de olhos arregalados.
Depois de alguns segundos ele riu, incrédulo.
-Uau. Você... – ele falou aproximando-se dela. – Está sempre me surpreendendo.
Ginny não entendeu o que ele queria dizer. Ela mal conseguira ficar de pé! Apenas se sentara. Notou com alerta que as mãos dele estavam abertas na direção dela. Draco chegaria antes que ela conseguisse levantar, antes que ela tivesse forças para lutar ou fugir propriamente!
Agindo por puro instinto ela se jogou contra a perna dele.
E mordeu.
O grito dele foi música para seus ouvidos quando ela cravou os dentes em algum ponto acima de seu joelho, furando as vestes e atingindo sua pele. Sempre tivera os caninos afiados demais. Ele a puxou, mas ela ainda conseguiu ficar tempo o suficiente para ouvir os palavrões que ele proferia, carregados de raiva e dor.
Ele conseguiu arrancá-la de sua perna pelos cabelos e jogá-la no chão novamente. Satisfeita consigo mesma e com seus estranhos instintos, Ginny limpou a boca. Foi um gesto mais simbólico do que outra coisa.
Por algum motivo, Draco ficou meio fascinado pelo gesto. Depois de apertar o ferimento sentindo que sangrava, virou-se para ela, irritado, caminhando em sua direção.
Ela se arrastou de costas, levantando-se, sem nunca parar de se afastar. Quando em poucos passos ele a alcançou, agarrando seus braços, ela se debateu um pouco mais fracamente do que antes. Suas pernas cederam.
Ginny caiu, mas dessa vez não teve oportunidade de usar os braços para aparar a queda. Sua nuca desprotegida atingiu uma pedra especialmente pontuda, provocando na garota uma dor aguda que a fez gemer. Não era nada comparada a maldição, mas sua vista escureceu. Tentou levar a mão à cabeça para checar se estava sangrando, mas logo percebeu que suas mãos estavam presas em seu peito pelo peso de Draco que caíra por cima dela.
Ele riu ao perceber o sangue que se misturava com o cabelo vermelho e os olhos castanhos cada vez mais desfocados.
-Você se machuca tão facilmente. – ele riu. – Eu não tive que fazer nada, você torna meu trabalho mais fácil.
Ginny queria responder algo malcriado, mas ainda estava muito concentrada em sua dor para falar alguma coisa.
-Sério... – Draco falou baixinho enterrando o rosto no pescoço dela e inalando profundamente. – Seus feitiços são maravilhosos, você tem um gênio super difícil, mas se machuca tão facilmente.
Ela abriu a boca para falar alguma coisa. Qualquer coisa. Mas só o que saiu foi um leve arfar.
-Sabe de uma coisa? Acho que isso é justo. – Draco comentou. – É justo porque seria demais se você não tivesse defeitos. – ele riu levantando a cabeça para encará-la.
Ginny olhava para cima, suas íris tremiam e ele sabia que ela lutava para ficar consciente.
Aproximou-se cuidadosamente e selou a boca rosada com a sua. Saboreando bastante aqueles lábios que ele nunca mais poderia provar. Era quase doloroso pensar assim. Perseguira-a tanto na escola e quando conseguia tê-la em seus braços uma estranha tristeza o atingia pelo pouco tempo que tinham.
Era difícil para Draco pensar num mundo onde não existisse Ginny Weasley. Quantas vezes ele não a perseguiu pelos corredores de Hogwarts admirando com fascínio cada um de seus movimentos? Quantas vezes não pegou-se, em sua própria casa, pensando nela? Quantas vezes pegou-se invejando os namorados patéticos que ela tivera, incluindo o Potter? A morte prematura não devia ser tão ruim. Não quando você já havia provado daquela boneca.
Descolando os lábios dos dela, sentiu-se mal ao perceber que ela estava inconsciente. Levantou-se e a trouxe em seus braços vendo o sangue escorrer pelos fios rubros.
Vendo aquela beleza indefesa, era impossível sequer pensar em maltratá-la mais.
Ao mesmo tempo em que desviou os olhos do rosto angelical, ouviu um estalo logo atrás de si. Virou-se e viu Bellatrix com um sorriso satisfeito.
-Oh Draco que alívio! Por que veio tão longe? Por um instante tive medo que você... – a mulher começou antes de sua expressão satisfeita mudar completamente ao olhar para Ginny nos braços do sobrinho.
-O que foi? - ele perguntou.
-Ela está morta? - ela perguntou apontando para a garota com a mão trêmula e a expressão de assombro.
-Não... – ele fitou a tia estranhamente. -Não era para matá-la?
-Venha comigo. Vamos ao encontro dos outros. O Lorde das Trevas explicará. - ela sorria.
-E o que eu faço com...?- perguntou Draco balançando o corpo da garota em seus braços.
-Traga-a. - disse Bellatrix balançando os ombros antes de desaparecer.
Draco a seguiu e aparatou. Antes que pudesse dizer qualquer coisa ouviu alguns aplausos entusiasmados e percebeu que vinham dos comensais que estavam na Toca mais cedo. Não entendeu muito bem porque estava sendo congratulado, mas não argumentou.
-Finalmente!
-Por que essa demora?
Então, com um discreto gesto da figura marcante e imponente do homem sentado perto da lareira, todos se calaram.
-Muito bem, Draco. – o Lorde das Trevas começou. O sonserino não conseguia se acostumar com o tom grave e frio da voz dele, e mesmo que tentasse, não conseguia olhá-lo nos olhos. - Ninguém aqui faria um trabalho tão bem feito quanto o que você fez.
Sarcasmo?
-Não foi sacrifício nenhum se aproveitar da pobre Weasley não é mesmo Draco?- perguntou Macnair, sarcástico. – Ah, não me olhem assim! Todos estavam pensando nisso!
-Deve estar pesada. Descanse-a na mesa, filho. - disse Rabastan para que pudesse olhá-la de perto.
O garoto o fez, e os comensais, curiosos, passaram a observá-la.
-Nossa Draco! Fez um bom trabalho!
-Tire a mão daí Rookwood! – Voldemort ordenou um pouco irritado, fazendo o homem recolher a mão rapidamente.
-Ela é...
-Também pensei nisso. - completou outro e os comensais mais jovens trocaram risos controlados.
-Calem-se.- o Lorde das Trevas ordenou. Não parecia irritado, no entanto. Esboçou algo que lembrava remotamente um sorriso. - Amanhã, temos muito que fazer. Começa oficialmente a construção do novo Ministério.
Sem aviso prévio, fazendo com que todos prendessem a respiração, Voldemort andou até o outro lado da mesa, Draco saiu do caminho atordoado e arregalou os olhos quando ele carregou a ruiva. Não a levitou com a varinha, nem mandou que mais ninguém o fizesse. Envolveu-a em seus braços e ergueu-a da mesa.
-O que vai fazer com ela? – Bellatrix perguntou antes de se encolher, arrependida por seu atrevimento.
Felizmente para ela, dessa vez ele pareceu não ligar, lhe dirigindo apenas um olhar reprovador antes de responder:
-Irão saber.
E desapareceu, envolto por uma fumaça negra.
Todos ficaram em silêncio por alguns instantes, olhando para o ponto em que Voldemort havia desaparecido com a garota. Todos imaginando o que ele ia fazer em seguida.
Lentamente, os burburinhos começaram. Os comensais tentavam entender o que estava acontecendo. Draco era inundado de perguntas e congratulações pela missão.
Só ele sabia que aquilo não tinha nada a ver com as ordens, e sim com o prazer de ter a Weasley fêmea em suas mãos. O prazer de ouvi-la soltar exclamações roucas, e o prazer de tocar seus lábios.
XxX
N/A: Sim mudei o capítulo completamente! Leiam. Leiam que está muito melhor. O resto não mudou. Só esse capítulo.