- Os peritos encontraram uma pegada aqui. Tinha a marca de um 40. - disse Scully ao homem abaixado perto do chão, ela o viu respirar fundo e o estudou confusa.
- Tranquilizante animal. - ele disse se erguendo.
- Então temos um homem branco, que calça 40, compra tranquilizante animal e tem problemas com mulheres loiras. - expôs Mulder se aproximando. - Nenhum vizinho ouviu ou viu qualquer coisa, diferente dos outros casos.
- Ele está se melhorando. - notou Scully.
- E está ficando confiante, vai cometer um erro. - falou Fox.
- Já cometeu. - disse Hunter. - A agente Starling é o erro dele. Ele saiu de seu padrão para matá-la e a manter quieta, sabe o problema que o FBI pode dar, então está nervoso e procurando tomar cuidado.
- O animal encurralado. - concluiu Mulder. - Precisamos encontrá-la antes que ele resolva como corrigir o erro.
Hunter assentiu.
- Agora, agente Mulder, para onde vai um animal assustado? - incentivou o outro homem, causando curiosidade em Scully.
- Para casa… - respondeu Fox. - Precisamos descobrir de onde era a primeira vítima, ela estava dentro da zona de conforto dele e cheia dos erros dele.
Ele se afastou dali tirando o telefone do bolso, Scully estudou Hunter por um longo momento, antes de seguir atrás do parceiro.
O homem conhecido como o agente Hunter sorriu, então seguiu na direção do duplex de Starling.
- Ah, Clarice, terei que quebrar minha promessa e ir atrás de você. Tsc, tsc, tsc, garota danada. Sempre corajosa demais.
Hannibal caminhou para dentro do apartamento de Clarice.
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Ela levantou a cabeça para o som da porta abrindo, então viu o homem conhecido apenas como Hope Diamond entrar, ele era de estatura média, nenhum modelo, contudo, também não desagradava, mas carregava cicatrizes no rosto e, ela imaginava, que no resto do corpo também, um lembrete do que o mudara.
- Boa noite, agente Starling. - ele disse apenas com um sorriso largo e olhos intensos e perturbados. Ele tinha uma calma falsa, porém duradoura, ela o classificou em algum lugar perto de Miggs, sem os gritos, apenas com a maldade e um desejo desesperado de ser como o Bom Doutor Lecter.
O homem largou um prato de comida sobre a cama, não tinha a melhor das aparências, nem ele parecia um chef e ela colocou de lado a ideia de assassinos e jantares elegantes, ciente de que os trinta segundos diários vinham se tornando trinta minutos para o seu chamado "mau hábito". Ela empurrou para longe o pensamento e se concentrou em Diamond.
- Só mais uma refeição e vamos cuidar de deixar você perfeita para a grande noite. - ele disse a estudando os cabelos, então tirou algo do bolso, logo ela viu se tratar de um dos diamantes que ele usava nas vítimas. - Acho que esse vai combinar com seus olhos. O que acha?
Ela não respondeu.
- Não é a mais educada das pessoas, não é? Alguns considerariam esse seu jeito, hum, digamos… Rude.
Starling o estudou com bastante atenção, ele sorriu diante do semblante dela.
- Ah, não, querida, não se preocupe, seu maridinho não vai acabar com a brincadeira. Não se ouve uma mínima notícia sobre ele. Sabe o que eu acho? Deve estar cinco palmos abaixo da terra o velho… Isso faz de você uma viúva, não? - ele deu de ombros diante do silêncio dela. - Tudo bem, para tudo se tem uma primeira vez. Nem mãe, nem assassina de fetos, viúva deve dar.
Ele se deu por satisfeito e saiu dali, batendo a porta.
Starling pousou o olhar sobre o prato na cama, concentrando-se o talher de plástico, considerando o que poderia fazer com o garfo.
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Scully estudava a galinha de origami com atenção, o objeto deixado por Hunter sobre a mesa de Mulder a colocara ainda mais desconfiada, contudo, ela não conseguia pontuar a razão, desde que o vira Leon Hunter fizera arrepios percorrer pela sua espinha, ela assumiu que fosse os olhos castanho avermelhados dele, agora se perguntava se não era algo mais.
- Wolf Trap, Virgínia! - disse Mulder entrando na sala e largando o arquivo sobre sua mesa diante de Scully. - a primeira vítima dele foi lá, encontrei alguém que bate com o perfil.
- Quem? - ela perguntou se levantando e virando para o encarar.
- Matthew Brown, filho de mãe solteira, a mulher carregava um diamante que era a réplica do Diamante Hope, Matthew sofreu abuso e saiu de casa assim que fez 18 anos, voltou e a mãe, "de repente" se tornou cadeirante. Ela sumiu, encontraram o corpo anos depois com facadas pelo tronco, Matthew tinha sumido. Falei com um amigo dele, um tal de Will G. que estudou com ele, disse que eles tinham uma casa em Chesapeake Beach.
- Longe.
- Não para alguém que anda com diamantes… Hunter está a caminho.
Scully assentiu, então encarou o parceiro.
- Mulder, não achou Hunter um pouco… Estranho?
- Incomum, sim, estranho… Bom, não sou um para julgar alguém, Scully. - disse o investigador, ele então pousou o olhar sobre a galinha de origami. - Nossa, ele quem fez?
- Sim.
Mulder pegou o objeto e mexeu o rabo da galinha, fazendo com que ela bicasse seu dedo. Ele pareceu pensativo.
- Mulder? - chamou Scully.
- Scully… Eu vi uma dessa uma vez, com Starling, ela quem fez, disse que levara muito tempo, mas que conseguiu fazer, que era uma piada interna. Eu vi na mesa dela… Na House of Hannibal.
Os dois trocaram olhares e correram na direção da dita sala de Clarice, ao entrarem encontraram todo o material organizado em uma única caixa, essa queimava dentro de uma lixeira, o ambiente inteiro estava limpo. Na mesa de Clarice havia apenas dois origamis mais: um cordeiro e um leão.
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Matthew Brown abriu a porta e encarou incomodado o homem bem vestido diante dele.
- Boa noite. - falou o homem.
- Você não é o cara da pizza. O que quer, coroa? - indagou o homem mais novo. - Eu não quero comprar nada.
- Eu gostaria de entrar. - disse o homem simplesmente.
- Não vai rolar. - cortou Brown.
- Na verdade, Sr. Brown, você tem algo que me pertence, eu vim aqui buscar. - o homem fez um movimento com o braço e uma lâmina reluziu de sua manga, ganhando a atenção do homem mais novo, esse engoliu estudando a extensão da faca harpia. - Devemos entrar agora?
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Mulder estava certo de que, se não fosse agente, as multas que levara só naquela noite por excesso de velocidade acabariam com todas as chances que ele tinha de manter a carteira de motorista.
- Aqui é a agente Scully, eu preciso de reforços para Chesapeake Beach. Dois possíveis suspeitos armados, um deles é extremamente perigoso.
- Perigoso é apelido carinhoso. - murmurou Mulder, fazendo ela revirar os olhos e lhe lançar um olhar mortal, ele acelerou ainda mais.
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Matthew dava dois passos para trás para cada passo para frente que o Dr. Lecter dava, ele buscava pela arma, tateando desesperadamente pela mesa da sala.
- Agora, Matthew, sabe o que estou procurando e eu sei o que está procurando, apenas um de nós dois vai conseguir achar o que quer. - disse o bom doutor, o rapaz bateu cotra a mesa, se vendo desarmado, confuso ele olhou ao redor.
- Ele tem razão. - uma voz feminina, fez o rapaz gelar, ele virou e viu Starling saindo das sombras com a arma em mãos, mirando-o. - Boa noite, Dr. Lecter.
- O loiro lhe caiu bem, Clarice. - comentou Hannibal ao vê-la, ele sorria e Matthew se perguntou se o diabo sorria daquele jeito, teve quase certeza de que a resposta era sim.
- Obrigada. - disse a agente. - Mesmo que não tenha sido minha a ideia, certo, Matthew?
- Hey, é o velho ditado "eles preferem as loiras". - brincou Matthew rindo nervosamente, logo se vendo bastante sem saída, a lâmina de um lado e a arma de outro.
Starling parou sem jamais dar as costas a Lecter, o que o doutor não deixou passar despercebido.
- Tinha uma promessa, doutor. - ela lembrou.
- Posso garantir que a intenção não é deixar esse mundo sem você, Clarice. - ele disse sem tirar os olhos de Brown. - Já o nosso amigo aqui… Nosso amigo me faz pensar que podemos ter essa discussão mais tarde, querida. Essa questão parece mais urgente.
Matthew estremeceu diante do tom de Lecter e perdeu o controle, correndo na direção do doutor, agarrando um candelabro da mesa para usar como arma.
O som da arma de Starling encheu o ar antes que Matthew chegasse ao seu destino.
O som do corpo indo ao chão levou um momento para ser processado pela mente de Clarice.
Quando ela ergueu o olhar, Hannibal a observava com curiosidade, ele tinha o rosto respigado do sangue de Brown. O bom doutor se aproximou dela, enquanto essa abaixava a arma, não achando em si o pensamento de apontar para o canibal que ergueu a mão e limpou o sangue do rosto dela, a mão dele ficado a bochecha dela por mais tempo que necessário.
Ela o encarou.
A harpia estava presa entre os dedos de Starling, ela segurava firme a lâmina que ceifara várias vidas, sua arma estava presa ao alcance de sua mão e, apesar do gesto, ela sabia que ter a harpia não significava que Hannibal era menos perigoso, era apenas um gesto simbólico de trégua. Ele ainda tinha as habilidades de um médico e os dentes. E por mais perigoso que fosse ele a limpava o rosto com uma toalha úmida como se fosse a coisa mais natural que ele fizera na vida. Ela estudava seu reflexo no espelho, loira, mudada, nem de longe a menina que ele conhecera quando estivera encarcerado.
- Seus amigos estão vindo. - ele disse, ela não moveu mais que os olhos na direção do rosto dele. - Mulder e Scully. Soube que a agente Mapp foi afastada do caso.
- O que você fez com eles? - ela perguntou.
- Recebi as informações que precisava e entreguei as que eles precisavam. Quid pro quo, Clarice, acredito que esteja familiarizada.
- Bastante. - ela deu um leve sorriso. - O que tem em mente?
- Muitas coisas.
- Doutor…
- O que você tem em mente, Clarice?
-... Não tenho certeza.
Ele parou diante dela e a estudou, tocou seu queixo, fazendo com que o encarasse.
- Não temos tempo, agente Starling. - ele soltou o queixo dela e passou a mão pelos cabelos agora dourados da dama de olhos azuis. - Os agentes Mulder e Scully sabem seguir pistas, eles sabem quem é Leon Hunter agora.
- Não há decisão a ser tomada.
- Sabe que há. Eu não vou voltar para a cela, Clarice. A questão é como vou partir. Sozinho ou não. Temo que não possa deixar que me impeça.
- Vai me matar?
- Vou precisar?
Ela não respondeu, desviou o olhar.
- Você vai tentar me matar? - ele perguntou, mais para mérito de análise, provavelmente duvidando da capacidade dela de sobreviver um combate com ele.
- Se nós dois não morrêssemos, talvez você ganhasse. - ela disse como se lendo a mente dele, sem jamais o olhar. - E não… Eu prefiro não ter que atirar contra você, doutor.
Ele assentiu satisfeito, ele deixou a toalha na pia, capturou o queixo dela e lhe tomou os lábios. Clarice demorou um momento, então o beijou de volta, permitindo que ele a puxasse pela nuca para mais perto. Quando separaram os lábios ela não abriu os olhos, mas sentiu ele observando seu rosto, soltado seu queixo.
- Estarei lá embaixo. - ele disse, deixando o banheiro.
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A porta foi ao chão, as equipes subiram pelas escadas da casa, outra explorou o resto do recinto, Mulder e Scully entraram depois de colete, analisaram a sala, no chão estava o corpo de Matthew Brown, ele usava um diamante como suas vítimas usaram, sobre sua barriga dois origamis: um leão e uma leoa.
Mulder e Scully trocaram olhares.
- Eles se foram. - falou Mulder, então olhando em volta.
Scully observou os dois origamis, pegando a leoa a mão.
- Um dos belos filhotes. - ela disse, Mulder a observou, ela indicou a leoa. - O filhote virou um dos grandes gatos, não se pode mais brincar com ele.
Ela se levantou, deixou a leoa de volta no lugar e seguiu na direção da porta.
- Vamos para casa, Mulder.
Ele observou os origamis por um instante, depois foi atrás da parceira, os dois pegaram o carro e voltaram para casa algum tempo depois.
Em algum lugar, distanciando-se dos Estados Unidos, Clarice Starling praticava italiano.
- Firenze.
- Sì, Clarice. Firenze.
