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CAPÍTULO VIII Amor

Aviso: Esta história é baseada em personagens e situações criadas por JK Rowling. Os direitos autorais pertencem a editoras como Bloomsbury Books, Scholastic Books e Raincoast Books, e Warner Bros., Inc. Não há intenção nenhuma de arrecadar dinheiro com essa prática ou violar leis. O principal objetivo deste fic é somente a divulgação de idéias e liberdade de imaginação. Respeito e admiro totalmente as obras de JK Rowling, não pretendendo de forma alguma roubar ou marginalizar seus personagens.

Sumário: Angústias intercaladas por amor e ódio.

Casais: Harry x Ron/ Draco x Harry/ SnapeXDraco

Categoria: Angst/Romance/Slash

Notas: Por favor, não encarem esta história com uma visão ofensiva ou julguem seu conteúdo apenas erótico. Há aqui a presença de sentimentos e emoções que obviamente não cabem num cenário pornô, onde a única preocupação é a prática desenfreada de sexo. Se por um acaso você é menor de idade ou possui algum trauma ou preconceito contra homossexualismo (relacionamento entre homens) não a leia. Não há necessidade de entupirem minha caixa de e- mail com comentários baixos sobre yaoi ou críticas ofensivas. Somos adultos e vivemos num país livre, por isso, vamos nos comportar e nos respeitar.

MR.WRITER

(Stereophonics)

You line em' up

pick out your shoes

you hang names on your wall

then you shoot them all

You fly around in planes

that bring you down

to meet me who loves you

likely crash into the ground

Are you so lonely

you don't even know me

but you'd like to stone me

Mr writer why dont you tell it like it is

why don't you tell it like it really is

before you go on home

I used to treat you right

give you my time

but when i turn my back on you

then you do what you do

With you just enough in my own view

education to perform

i'd like to shoot you all

And then you go home

with you on your own

what do you even know

Mr writer why don't you tell it like it is

why dont you tell it like it really is

before you go on home

And then you go home

with you on your own

what do you really know

Mr writer why don't you tell it like it really is

why don't you tell it like it always is

before you go on home

Mr writer why don't you tell it like it really is

why don't you tell it like it always is

before you go on home

................................

Os corredores de Hogwarts não estavam tão desertos como estariam num dia de semana. Draco mirou com desdém a algazarra de um grupo de alunos da Lufa-lufa próximo à escadaria que levava ao corujal.
Apenas as masmorras encontravam-se tão lúgubres e abandonadas como haviam sempre sido. O cheiro de poção fervendo dentro de um caldeirão de latão podia ser sentido a longa distância e o ar característico daquele lugar alimentava a memória do sonserino com uma estranha sensação de nostalgia.
Batendo de leve com os nós dos dedos na porta, Draco entrou sem esperar por uma resposta. Deparou-se com Snape atrás de sua mesa de mogno a erguer uma sobrancelha antes de dar permissão para que o aluno entrasse, com sua voz característica de constante calma.

"Que surpresa, senhor Malfoy! Que milagre é este que o traz em pleno sábado à noite até minha sala?"

Draco deu de ombros antes de responder com maus modos.

"Se não estiver satisfeito com minha presença, é só dizer. Não será para mim, com certeza, uma calamidade deixar sua sala..."

Snape deu um meio sorriso e sacudiu levemente a cabeça enquanto voltava a escrever algo em um pergaminho.

"Sua petulância é demasiadamente grande para sua pouca idade, senhor Malfoy. Não quero que saia. Sente-se!"

Draco ainda sem alterar sua expressão de arrogância, dirigiu-se até o divã de veludo verde e sentou-se.

"Agora, sem pensar que estou o expulsando, diga-me o que deseja, vindo aqui."

Draco não sabia o que responder. Para dizer a verdade, não tinha a mínima idéia do que viera fazer na sala de Snape. Suas pernas simplesmente o haviam levado até lá. Também, não sabia bem ao certo se gostaria realmente de questionar-se sobre o porquê da sua vinda.

O garoto olhou para os lados com visível aturdimento, como se procurasse entre os quadros de paisagens mortas, alguma idéia clara do que responder. Sem encarar o professor de Poções, o sonserino murmurou com irritação.

"Nada..."

Foi a vez do próprio Snape parecer atordoado com o que ouvia. Ao levantar os olhos do que estava fazendo, conservava uma expressão intrigada e ao mesmo tempo surpresa em seu rosto pálido.

"Senhor Malfoy, sente-se bem?"

"Pareço doente, por um acaso?"

Snape o olhou profundamente e novamente após alguns segundos, voltou a atenção para a tarefa que executava.

"Pensei que talvez o pesadelo que teve na noite passada, o tivesse feito mais mal do que imaginara."

Draco manteve-se em silêncio, remoendo fragmentos das lembranças que ainda circulavam impunes por sua mente. Snape, por sua vez, só dirigiu-se novamente ao aluno quando este postou-se ao seu lado.

"O que está fazendo, professor?" perguntou Draco, esticando o olhar para a mesa de Snape.

"Estou corrigindo as provas dos alunos do quinto ano. Há algum tempo atrás, corrigi a sua. Se quiser vê-la, procure nessa pilha de pergaminhos."

O garoto percorreu os dedos com avidez pelas várias provas que o professor de Poções o havia apontado. Reconhecendo sua letra inclinada, puxou um dos inúmeros pergaminhos sobre a mesa.

"Hum, sete... Foi melhor do que a nota da última prova..."

"Nesse caso, senhor Malfoy, não necessitará de pontos extras, não é mesmo?"

Draco mirou o professor com visível discordância.

"O meu pai acha que nunca tirei menos do que nove em Poções..."

Snape olhou seu aluno rapidamente, demonstrando alguma ternura por aquela sua preocupação infantil de levar bronca por uma nota não tão boa.

"Eu sou obrigado a reconhecer que você, senhor Malfoy tem melhorado bastante. Era no primeiro ano um aluno de três. Depois, no terceiro tornou- se um aluno de cinco. Agora, é um aluno de sete. Não demorará muito tempo para tornar-se um aluno de nove ou mais, acredito eu."

Draco olhou o professor e sorriu timidamente um sorriso limpo de deboches e afrontas. Depois, voltou-se para os outros pergaminhos e folheou um por um enquanto observava as notas dos outros alunos.

"Hmp... Granger! Dez! Como é que aquela sangue ruim nojenta consegue ser tão boa em todas as matérias!?"

Snape esticou o olhar para o pergaminho na mão de Draco e murmurou também com um ligeiro mau humor.

"Procurei o mínimo erro na prova da senhorita Granger, mas não o encontrei. Para falar a verdade, ela acrescentou inúmeras informações extras..."

"Sangue ruim intragável..."

Draco continuou remexendo nas provas de seus colegas. Da resma, puxou outros dois pergaminhos.

"Os namoradinhos Potter e Weasley ... Potter, oito e Weasley, sete. Não acredito que aquele idiota do Weasley tirou a mesmo nota que eu!"

O garoto da sonserina atirou com raiva as duas provas sobre a mesa e aproximou-se mais do professor.

"Bom, quero a mesma nota da sangue ruim! Acho que vou ter que caprichar para conseguir meus três pontos, não é mesmo, professor?"

Snape levantou o olhar para o garoto.

"Quê, Malfoy?"

O garoto ergueu-se e sentou-se sobre a mesa onde Snape escrevia, amassando algumas provas.

"Professor Snape, não posso levar um sete para casa. Essa nota não é condizente com um sangue puro da linhagem Malfoy. Não mesmo. Mas, com sua colaboração, posso conseguir meus três pontos. E quanto mais cedo, melhor... Posso consegui-los agora?"

O sonserino transbordava uma febre doentia de seus olhos azuis. A geleira destes derretia.

"Draco, eu estou trabalhando e você está amassando os pergaminhos..."

"Deve haver algo mais interessante para se fazer no sábado à noite do que corrigir provas de um monte de alunos estúpidos..."

"Eu gosto do meu trabalho, se quer saber, senhor Malfoy. Vamos, desça..."

Draco mirou por um momento o professor de Poções enquanto algo que não lhe ocorrera até aquele momento, veio à sua mente. Há uma hora atrás, dispensara Flint e seus companheiros, alegando que não sentia vontade de ir para a cama com quem quer que fosse. No entanto, agora que se encontrava diante do professor Snape, a idéia não parecia-lhe má. Sim, a mágoa pelo que Potter lhe fizera ainda encontrava-se lá, irritando-o. Porém, sua fúria já estava sonolenta.

As lembranças da noite passada em que convidara o professor para seu quarto ainda o excitavam. Aqueles beijos ainda queimavam em seus lábios.

Por quê? Por que de uns tempos para cá, deliciava-se com a idéia de se entregar ao professor? Escondia de si mesmo que a sua vontade própria influenciava naquela complexa balança. Estava usando os míseros três pontos como pretexto para conseguir algo mais importante?"

Draco desceu da mesa de mogno contra gosto e permaneceu remoendo seus pensamentos enquanto mirava silencioso, o chão.

"Senhor Malfoy, deseja mesmo conseguir seus três pontos?"

"Mas, é claro!" redargüiu o garoto com olhos que indicavam um lampejo de esperança.

"Então, venha, ajude-me a lançar essas notas no meu diário e a recontar as provas."

O sonserino deixou que uma súbita indignação desenhasse-se em seu rosto antes que protestasse.

"Está brincando ou o quê!? Isso é trabalho de escravo. Contrate uma secretária e..."

"Por Deus, garoto, será que você não pára um segundo sequer!? Sempre, tem uma resposta para tudo? Vamos lá, não é tão difícil. Ajude-me!"

"Não, eu não vou. Eu vou voltar para a minha Casa!"

"Como é mimado e petulante! E quanto aos pontos que tanto deseja, senhor Malfoy? Além disso, se não me ajudar, serei obrigado a tirar pontos da Sonserina por estar a uma hora dessas fora de sua Casa."

Draco bufou com indignação.

"Como disse!? Vários alunos estão fora de suas Casas há uma hora dessas. Pode andar pelos corredores e conferir!"

"Os regulamentos são muito claros. Os alunos devem permanecer à noite dentro de suas Casas. E além do mais, certamente tais alunos que perambulam pelos corredores não devem pertencer à Casa da qual sou diretor, estou errado senhor Malfoy?"

Draco procurou em vão recordar-se do emblema verde e prata nas vestes daqueles que vira no corredor.

"Pois bem, Malfoy. Dos outros alunos que seus respectivos diretores tomem conta. Mas, você, uma vez que pertence à minha Casa, fará como eu mandar. E para não perder pontos, cumprirá uma detenção que começa neste exato minuto! Vamos, comece a se mexer. Eu direi as notas enquanto você as anotará no diário de aula."

"Não acredito que o senhor seja capaz de tirar pontos de sua própria Casa. Isso é traição!"

O garoto ainda demorou-se em inúmeros protestos que foram em vão. Contra sua vontade, segurou a pergaminho e o tinteiro em suas mãos antes de começar a escrever as notas que lhe eram ditas. O professor deteve-se ao chegar na letra "W".

"Malfoy, coloque as notas certas. O senhor Weasley não tirou um zero, assim como a senhorita Granger não tirou dois."

Draco novamente voltou a protestar. Por fim, deu-se por vencido e riscou as notas falsas, colocando em seguida, as verdadeiras.

"Pensei que também não gostasse dos amiguinhos de Potter, professor..."

"De fato, gosto deles tanto quanto venho a gostar de Potter. No entanto, ser professor não me dará o direito de alterar desse modo drástico suas notas, sem atrair a atenção de todos."

Draco terminou finalmente seu trabalho e mal preparava-se para sair, quando Snape o deteve.

"Não me lembro de ter lhe dado permissão para se retirar, senhor Malfoy. Sua detenção ainda não acabou. Venha, conte quantos provas há aqui. São os exames dos alunos do segundo, terceiro e quarto ano."

O sonserino mirou com insatisfação a pilha de pergaminhos à sua frente. Deveria haver mais de duzentos. No entanto, Draco dessa vez resignou-se mais rapidamente, apenas, parando vez ou outra para resmungar palavras aleatórias como "injustiça", "trabalho para elfo doméstico" ou "tratado como um aluno da Grifinória".

Após uma longa contagem, o garoto ergueu a cabeça e murmurou com mau- humor.

"Duzentos e noventa e seis..."

Snape ao erguer seus olhos, conservava um meio sorriso em seus lábios.

"Tem certeza? Deveria haver trezentos e três pergaminhos e não, duzentos e noventa e seis. Conte novamente, Malfoy. Conte até alcançar o número exato!"

Os protestos do garoto dessa vez foram muito mais insistentes. Com o rosto vermelho de consternação, ele cedera mais uma vez. No fim, respirou aliviado quando sua atenta recontagem bateu com a do professor.

A sonhada liberdade do sonserino demorou um pouco mais. Snape pedira- lhe ajuda ainda em outras diversas tarefas. Ao fim delas, Draco, de fato, estava exausto, apesar da irritação que sentia.

Mal-humorado, sentou-se no divã enquanto consultava seu relógio de pulso e constatava que já passara da meia-noite.

"Não acredito que desperdicei meu sábado com essa bobagem..."

"O que estaria fazendo, senhor Malfoy, caso não estivesse aqui...?"

"Possivelmente, aproveitando minha juventude da melhor maneira possível com algum garoto bonito em meu quarto..." mentiu Draco, sabendo bem que no estado em que se encontrava antes de vir a ter com Snape, certamente passaria aquela noite, enfrentando seus demônios na escuridão solitária da Sala Comunal de sua Casa.

"Por Deus, senhor Malfoy, será que só pensa nisso?"

"Durante o sábado à noite, sim..."

"Deveria aproveitar os fins de semana para estudar. Com certeza, suas notas estariam melhores..."

"E certamente, meus fins de semana seriam piores..."

"Sua noção de ruim é demasiadamente relativa, senhor Malfoy..."

"...E a sua noção de fim de semana é muito estreita, professor Snape. Bom, acho que agora que já consegui meus três pontos, vou voltar para a minha Casa."

O garoto se levantou antes que o professor de Poções sorrisse e murmurasse com sua típica voz metálica.

"Digamos que nesta noite adquiriu dois pontos, senhor Malfoy..."

Draco ergueu um olhar intrigado para Snape.

"Que tipo e brincadeira é essa, Snape? Para ficar com dez, necessito de três pontos!"

"Admiro seu esplêndido raciocínio matemático, Malfoy..."

"Está blefando, professor? Eu trabalhei com o senhor como um elfo para conseguir três pontos e não apenas dois!"

Snape tocou com a ponta dos dedos o rosto muito pálido a sua frente.

"Talvez, seu serviço ainda não tenha sido totalmente terminado...Esta é a última semana de aula antes do recesso de Natal, senhor Malfoy. Acha mesmo que eu conseguiria passar tanto tempo, sem despedir-me antes daquilo que tanto adoro."

O garoto fechou os olhos quando o professor de Poções curvou-se para depositar-lhe um longo beijo. Aqueles lábios pressionavam os seus com intensidade, à medida que um súbito calor abrasava-lhe as faces. Um formigamento não de todo incômodo iniciou um sinuoso movimento pelo corpo de Draco. Não sabia bem ao certo se na mistura de sensações, seus pés pareciam ter saído do chão ou se o professor, de fato, o erguera a alguns centímetros do assoalho, em seus braços. O que não seria de todo difícil, visto que ele ainda era muito menor do que Snape.

Ao partirem o beijo, Draco sentiu-se ainda tonto por um breve momento. A voz de Snape envolta por um não habitual tom de empolgação, fez com que o sonserino voltasse a si.

"Comprei-lhe algo, senhor Malfoy..."

O garoto acompanhou o professor com o olhar quando este voltou até a sua mesa de mogno e retirou de dentro de uma das gavetas, um pequeno embrulho de papel verde com fitas cor de prata.

"Algo para mim, Snape?"

"Sim, um presente de Natal, digamos assim..."

Snape entregou-lhe o embrulho. Draco ainda conservava uma expressão intrigada quando tomou-o em suas mãos. O que significava tudo aquilo? Abriu- o sentindo o olhar do professor sobre si.

O sonserino sorriu com nervosismo ao deparar-se com uma pequena caixa que ocultava em seu interior, um exuberante bracelete prata cujo contorno era o corpo de uma brilhante serpente. Incrustado em sua cabeça, havia duas esmeraldas que posicionavam-se no lugar de seus olhos. As mãos de Draco tremeram por um segundo. Sem dúvida alguma, um presente extremamente sofisticado e caro. Por que Snape se propunha a dar-lhe uma coisa daquelas...?"

"Professor... É lindo...Mas... por quê?"

"Achei que ele combinaria perfeitamente com as ostentações de seu quarto, senhor Malfoy. Meu único receio era que talvez já possuísse algo igual..."

O sonserino procurava palavras para lidar com aquela situação, a qual não estava acostumado.

"Snape, não sei se devo aceitar..."

"Ora, senhor Malfoy, quem se arriscaria a usar uma extravagância dessas que não fosse o senhor que, como mesmo diz é descendente de uma linhagem pura e nobre de bruxos? Talvez, isso seja mais condizente com sua pessoa do que a perda de tempo em uma sala, corrigindo provas, não é mesmo?..."

O garoto sorriu com timidez.

"Obrigado, Snape..."

Draco prendeu o bracelete em seu pulso e observou radiante o brilho das duas esmeraldas, sob a luz bruxuleante do fogo da lareira. Aquela jóia de fato seria muito cara. Passada a surpresa, o presente começava realmente a agradar muito o jovem sonserino.

Snape voltara a sentar-se a sua mesa de mogno enquanto murmurava, ocultando a satisfação ao ver o aluno sonserino tão radiante:

"Agora, se desejar, senhor Malfoy, pode retornar para o seu quarto. Nos veremos na aula de segunda à tarde..."

Draco ainda contemplou durante alguns segundos o professor de Poções antes de se dirigir até a porta e abri-la. No entanto, ele não chegou a sair. Ao invés disso, manteve-se parado, segurando a maçaneta que esfriava rapidamente sua mão. Snape, por sua vez, o olhava com atenção quando o garoto voltou a fechar a porta e caminhou novamente até a mesa onde o professor se encontrava.

"E agora, Malfoy? O que deseja...?"

O professor de Poções foi silenciado por vários beijos febris. Entre a intensidade de cada um, Draco murmurava ofegante:

"Por que faz isso comigo, Snape? Por que me trata assim?"

Snape redargüiu enquanto correspondia aos beijos do aluno.

"Será que não entende, senhor Malfoy? É jovem demais para saber?"

Snape puxava Draco para si com ânsia enquanto mergulhava o rosto em seu pescoço. Draco sorriu com malícia enquanto com dedos afoitos desprendia o nó de sua capa, deixando que em seguida ela escorregasse por seus ombros muito estreitos.

"Vamos, professor... Será nossa despedida antes do Natal. Quero que seja tão bom quanto a noite passada..."

Mãos ávidas acariciaram o corpo do sonserino, abrindo suas vestes. Draco permitiu-se tocar enquanto sentava-se sobre a mesa, puxando o professor de Poções para cima de seu corpo. A doçura daquele contato causaria-lhe lágrimas. Lágrimas internas. Seus olhos fechariam-se firmemente enquanto Snape voltasse a beijar seu corpo. E Draco sentia que poderia morrer. Poderia morrer por aquilo.

O professor por sua vez cedia a loucura. Ao desejo, ao delírio. Absorvia sem pudor a sensação que aquele jovem o proporcionava. Cedera à loucura pelo aluno. Perderia a razão na adoração daqueles momentos. E odiaria a miserabilidade daquela inocência corrompida. Estava nas mãos de uma criança. E aquela criança o enlouquecia. Enlouquecia-no quando seus gemidos ainda infantis erguiam-se no ambiente de luz bruxuleante. Enlouquecia-no quando seu corpo pequeno comprimia-se contra o seu antes de mover-se ao seu próprio modo. E aqueles ossos eram esmigalhados por sua velocidade. Por seu afeto. Por seu desejo. Por sua loucura.

Ambos mergulhariam incessantemente naquela deliciosa e incensurável relação. Ainda suportando sobre si o insustentável prazer, Draco, com olhos velados, pediria ao professor para que lhe fizesse novamente. Para que lhe fizesse aquilo que mais amava. E o professor faria-lhe uma segunda vez. E talvez também, uma terceira. Faria-lhe todas as vezes que pedisse. Cumpriria sua vontade obedientemente. Cumprira-na entre a umidade de si próprio. Entre os pergaminhos amassados pelo pouco peso do sonserino que mergulhava os dedos em seus cabelos muito lisos, no momento em que o êxtase pisoteasse sua consciência.

Naquelas horas, Snape o abraçava com uma inconformada culpa. Ele era muito jovem. Não deveria. Porém, Draco o queria. Draco o forçava para que continuasse afim de que seus gemidos perpetuassem. Para que perpetuassem na memória de Snape para sempre. Então o professor continuava, sentindo o frio metálico da jóia do aluno arranhando-lhe a pele. Sentindo seu coração ser dilacerado por aquele rosto febril. Por aquele afeto febril.

Já amanhecia quando Draco finalmente adormecia no divã, coberto apenas por sua capa de Hogwarts. Provas amassadas ainda o circundavam no chão. Snape acariciava-lhe os cabelos umedecidos entre alguns curtos beijos. Vencido pela exaustão, finalmente ele repousava, denunciando entre seu rosto calmo, a pouca idade.

Incompreensível, insensato, imaturo. Arrogante. Este era aquele garoto para Snape e no silêncio daquela sala, o professor o adorava. O sol que nascia acompanhando o canto dos pássaros trazia um estranho desânimo para aquele santuário.

Snape sentia como se a magia quebrasse-se. Logo, os olhares de todos cairiam sobre os dois. E veriam-nos como os desprezíveis que faziam esforços para serem. Ninguém saberia dos segredos daquela sala. Ninguém deveria saber. Saber que a manhã os colocava em mundos diferentes, após os lençóis negros da noite sorrateiramente terem estendido-se para ambos.

Ora, por que o tratava daquele modo? Por que não conseguia evitá-lo? Por que como um tutor, insistia em corrigi-lo e ajudá-lo? Não estava óbvio? De fato, Draco era muito imaturo para determinados sentimentos, ainda que seu corpo fosse precoce para as emoções.

Por uma última vez, Snape curvou-se e beijou-lhe os olhos. Num sussurro quase inaudível, suas palavras foram murmuradas ao silêncio.

"Eu amo você Draco. Mais do que tudo. Sempre o amei..."

.............................

Segunda à tarde. Aula de Poções.

Harry Potter dava fortes espirros, seguido por seu melhor amigo, Ronald Weasley. Ao seu lado, Hermione Granger lançava-lhe olhares de censura.

Depois de um conturbado fim de semana, definitivamente, Harry e Ron haviam feito as pazes. No domingo, Harry cumprira sua promessa de visitar Murta que Geme, o fantasma que assombrava o banheiro de meninas do segundo andar e que tinha uma quedinha por Harry. A menina segurara-lhe durante horas em uma interminável conversa. Quando Harry voltara ao seu dormitório, constatara que adquirira um forte resfriado. Ron também não parecia nada bem com seus olhos vermelhos e espirros compulsivos.

Hermione, constrangida, ajudara Harry a reavivar a memória de como provavelmente Ron e ele haviam ficado doentes. Harry, convicto, comentou finalmente com Ron que muito tempo dentro da água ou deitados sobre o mármore frio havia ocasionado tal situação.

Agora, estavam eles nas masmorras e não apresentavam nenhuma melhora. Snape os mirava friamente.

"Senhor Potter e senhor Weasley, o que significa isso?"

"Estamos resfriados" murmurou Ron com cinismo.

"Disso eu sei. O que lhes pergunto é que estripulia fizeram para estarem em tal situação."

O professor depois de retirar a queixa de Harry parecia mais letal do que nunca. Harry pretendia evitar outro confronto deplorável por mais impossível que isso parecesse.

"É comum resfriados no inverno, não é mesmo?" murmurou Harry dando de ombros.

O professou lançou-lhe outro olhar gélido antes de concentrar-se novamente na aula. Ron puxou Harry pela manga de suas vestes enquanto cochichava, rindo.

"É comum namorados se resfriarem depois de se pegarem no banheiro, seu bisbilhoteiro!"

Durante a aula, Snape entregou as provas aos alunos. Ron mirou intrigado o seu pergaminho.

"Onde Snape guardou isso daqui? Minha prova está toda amassada!"

"A minha também" murmurou Hermione com a prova em suas mãos que mais parecia lixo.

"Nossa, Mione, outro dez!? Esse já é o terceiro que você tira em Poções!"

A menina corou um pouco.

"É...Tenho estudado muito. Sua nota também melhorou muito, Ron..."

"Graças a você que tem me ajudado nas matérias. Que nota você tirou, Harry?"

"Tirei oito e minha prova está mais amassada do que as de vocês!"

"Já sei!" disse Ron, baixando o tom de voz "Snape deve ter ficado com tanta raiva por termos tirado notas boas que chegou a amassar nossas provas! Bem feito para ele!"

Os amigos foram distraídos por uma irritante e esganiçada voz ao fundo da sala. Pansy Parkinson dava gritinhos enjoados.

"Draco, como você é brilhante! Tirou dez!"

Ron olhou desdenhoso para o sonserino. Sua raiva pelo que acontecera entre Draco e Harry ainda o perturbava. Ele exibia seu habitual sorriso debochado e ar arrogante.

"É vergonhoso um aluno tirar menos do que oito, não é mesmo, Pansy? Tenho pena de quem precisa dos outros para explicar-lhe as matérias e no final, tudo que consegue é um desanimador sete. Incompetentes assim, deveriam perder pontos!"

O garoto de cabelos ruivos sabia a quem as indiretas eram dirigias. Harry murmurou-lhe próximo ao ouvido:

"Ignore-o! Deixe que fale com as paredes!"

Virando-se para Hermione, Ron comentou num tom de voz suficientemente alto para que todos ouvissem.

"Mione, você tira sempre dez porque além de ter um talento natural, ainda estuda feito doida todos os dias. Mas, o que me intriga são aqueles tipinhos que possuem uma burrice natural e que talvez nunca tenham lido um livro sequer em toda a vida tirarem dez! Não é estranho, Mione? Ainda mais quando o diretor da Casa deles é o professor..."

Draco mirou com profundo ódio o garoto de cabelos ruivos. Simmas Finnigam e Dino Thomas sufocaram uma longa risada.

Snape pedira aos alunos que abrissem o livro de Poções no capítulo XXIII. Enquanto o professor caminhava por entre as carteiras dos alunos, explicando a confusa química da poção de envelhecimento, foi com ar ardil que Draco o puxou pela manga das vestes e sussurrou.

"Quando dividir as duplas para preparar a poção, me coloque ao lado do Weasley..."

Snape franziu o cenho como censura, apesar do olhar do sonserino manter-se insistente. O professor de Poções deu continuidade à aula e na hora da separação de duplas, Malfoy sorriu quando sua vontade foi cumprida.

Ron sustentava uma expressão confusa. Harry mirava com verdadeira irritação Draco Malfoy.

Enquanto preparavam a poção de envelhecimento, Draco reiniciou seus ataques. O garoto de cabelos ruivos acompanhado pelos olhares preocupados de Hermione e Harry, fazia um esforço sobrenatural para manter-se calmo. Suas mãos tremiam levemente.

Draco soltou uma risada quando o grifinório ao seu lado deu um forte espirro.

"Qual é o problema com você, Weasley? Não tem dinheiro para comprar remédios? "

"Fecha a boca, Malfoy..."

"Fiquei sabendo que estão dizendo por aí que o Potter e a Granger são namorados. Quanta besteira, não é mesmo?"

"Nossa vida particular não é da sua conta! É melhor você ficar quieto! Por que não se preocupa com sua própria vida, idiota!?"

"Quanto nervosismo, Weasley! Por acaso está com ciúmes por eu ter pego seu namoradinho emprestado um pouco!? "

Ron já deixara de lado as folhas de mandrágora que picava.

"Eu com ciúmes de você? Só pode estar brincando..."

"O Potter te contou sobre o beijo? Aliás, seu namorado beija muito bem. Foi com você que ele aprendeu a ser tão hábil? Duvido muito..."

"Harry me contou tudo sobre a detenção e também me contou que lavou várias vezes a boca depois de ter te beijado. Desculpe, Malfoy, mas acho que você não beija tão bem quanto o MEU namorado beija. Ah, e se o interessa mesmo saber se Harry aprendeu comigo a ser tão bom, deveria acreditar que de fato, praticamos muito."

A resposta de Ron acertara Draco em cheio. Aquelas palavras mal conseguiam ser digeridas.

"Está mentindo, Weasley! O que você não aceita é que Potter está farto de suas mediocridades românticas. Você é ridículo! Acha que esse sentimentalismo babaca vai durar para sempre? Isso se acabará quando..."

"Chega, Malfoy! O que você acha que pode dar a ele? Harry me contou o modo baixo como se ofereceu. Acha que o roubará de mim com suas vulgaridades? Diz-se um bruxo de sangue puro melhor do que todos e por trás, tudo que sabe fazer são nojeiras baratas. Acha mesmo que ele vai trocar algum momento comigo por suas propostas doentias? Quer dizer que ele pode bater em você se quiser, Malfoy!? É isso que o faz um bruxo tão respeitável? É disso que se vangloria? Vermes merecem mais respeito! Você deve estar apaixonado por Harry, mas ele não quer você. Então, fecha essa boca imunda e vai para o inferno!"

O ataque físico partiu de Draco que, mordido de ódio pelo que lhe era atirado, empurrou Ron com força contra os frascos de saliva de dragão sobre a mesa.

A atitude de Ron foi uma resposta ao ataque do garoto sonserino. Enfurecido, ele avançou para Draco, não medindo forças. A turma observou abalada os dois rolarem sobre o chão enquanto esmurravam-se.

Ron, de fato, há muito desejava escoar aquela raiva que o atormentava. Enquanto socava várias vezes seguidas o rosto de Draco Malfoy, uma irritante imagem de um beijo entre o sonserino e Harry revirava-lhe as entranhas. Enchia-lhe de náuseas. Levava a melhor, sem dúvida. Era contra a imagem que brigava. Aquela detenção poderia naquele momento fazer parte das masmorras.

Ao serem separados pelos outros alunos, Ron apesar de estar com os lábios rachados, exibindo sangue em seus dentes, sorria triunfante.

Malfoy estava com seu rosto terrivelmente marcado.

"Me soltem! Eu quero acabar com esse pobretão miserável de uma vez por todas!"

Snape interveio, lançando um olhar atônito para os dois garotos.

"Senhor Malfoy e senhor Weasley, como ousam perturbar minha aula com uma coisa tão desagradável como essa!? Onde diabos pensam que estão? Quinze pontos a menos para a Grifinória e... quinze pontos a menos para a Sonserina..."

Ouviu-se murmúrios surpresos. Não seria novidade Snape tirar pontos da Grifinória. Mas, em compensação, nunca antes tirara pontos da Casa da qual era diretor. Aquilo sim criava uma comoção. Draco mirava o professor com olhos indignados.

Ron, no entanto, mantinha seu sorriso triunfante. Quem se importava? Snape poderia levar-lhe todos os pontos que quisesse! Conseguira quebrar a cara de Malfoy. E isso valia para ele mais do que mil pontos.

Harry e Hermione haviam aproximado-se do amigo com olhares apreensivos.

"Eu ainda te pego, Weasley! Seu maldito miserável pobre! Quando eu puser as mãos em você, sua família não vai ter dinheiro nem para o seu enterro!"

Ron mirava o outro com ar superior. Nada naquele momento roubaria-lhe a alegria.

"Você e mais quantos, Malfoy!? Isso é para você aprender a ficar longe de nossa vida! Aprende de uma vez por todas, imbecil! O namorado é meu!"

A resposta dada a Draco levantou uma onda de murmúrios intrigados.

Pavarti Patil olhou para sua amiga Lilá Brown totalmente atordoada.

"O que foi que o Weasley falou?"

"Ele falou a palavra namorado!"

"Ele não disse namorada!?"

"Não, eu ouvi namorado!"

Até mesmo Snape pareceu apreensivo com a resposta dada por Ron. Draco livrou-se das mãos que o seguravam com firmeza e caminhou pisando duro até Harry. Sua voz estava trêmula e seus olhos pareciam feridos.

"Já que são tão amiguinhos, você e o Weasley, Potter, agora você vai pagar pelos dois! Eu ainda não desisti. Um dia ainda faço você beijar meus pés!"

Malfoy abandonou a sala com pressa. Antes de sair, ele levou a mão ao rosto e Harry juraria ter visto algo semelhante a lágrimas nos olhos de seu inimigo. Questionou-se Harry por uma fração de segundos se o sonserino chorava pela dor de seus machucados, pela humilhação ou por outro motivo ainda maior.

Snape dispôs-se a ir atrás do aluno, pedindo que este esperasse.

Os alunos ainda com suas poções não terminadas, olhavam uns aos outros totalmente perdidos.

"O que é que a gente faz agora?" perguntou Simas ao resto da turma "O professor se foi! A aula acabou?"

Lilá se dirigiu a Ron com um olhar curioso.

"Por que você e Malfoy brigaram?"

Pavarti acompanhava a amiga nas perguntas.

"O que é que ele queria dizer com aquelas palavras?"

Não obtendo resposta, as meninas vacilaram um pouco antes de prosseguirem.

"Quem é sua namorada, Ron?" adiantou-se Dino Thomas "É por ela que brigou com aquele encrenqueiro da sonserina?"

Harry, Hermione e Ron se entreolharam apreensivos. Passada a turbulência, os três começavam a perceber que no calor da briga, coisas demais haviam sido ditas.

Parvati interveio com voz esganiçada.

"Eu ouvi claramente o Weasley dizendo a palavra namorado!"

Dino arregalou os olhos com surpresa. Todos miravam agora o garoto de cabelos ruivos que começava a sentir que suas orelhas avermelhavam-se rapidamente.

Hemione tomou a palavra com seu habitual ar de sabedoria.

"Não diga bobagens, Pavarti! Ron disse namorada! Você entendeu errado e deveria ter vergonha de dizer essas coisas! Bom, acho que a aula acabou. Se não se importam, Harry e eu vamos levar o Ron até a enfermaria! Vamos, Harry! Depressa..."

Os dois garotos acompanharam obedientes, a amiga sem nenhum intuito de contestá-la.

Lilá Brown, longe de dar-se por satisfeita, dirigiu-se a Ron, conservando um ar muito sério.

"Então, quem é a sua namorada, Weasley?"

Ron manteve-se em um atônito silêncio. Mione, percebendo o que acontecia, limitou-se a sair puxando o amigo para fora da sala.

"Isso não é da sua conta, Lilá!" redargüiu Harry muito sério quando a garota fez menção de fazer outra pergunta.